CAPÍTULO XV

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Ruan Dias chegou em seu prédio acompanhado de Felipe Barbosa após a escola naquela quarta-feira. Ambos os adolescentes carregavam suas mochilas nas costas, usavam calça jeans e a camisa do uniforme do Liceu América. Era um dia nublado de temperatura amena.

-Tu vai pra casa agora? Se quiser entra aí – Ruan dissera, enquanto tirava suas chaves do bolso pequeno da mochila – Já vou avisando que tem gente lá em cima na minha casa, então não vai dar pra ficarmos à vontade.

-Nós não podemos ficar aqui embaixo, no térreo? Faz mó tempão que não fazemos isso.

-Podemos sim, cê quer?

-Aham.

-Beleza então.

Os dois garotos atravessaram o portão da frente e ao invés de seguirem reto para a porta de entrada, eles pegaram o caminho lateral e chegaram a parte de trás do prédio. Ali era um local deserto, cheio de pilastras de concreto, um teto baixo e várias vagas de estacionamento para os veículos dos moradores. A maioria estava vazia.

-Impressão minha ou esse lugar está maior? – Felipe perguntou.

-Impressão sua. Continua a mesma coisa.

Ruan tirou a mochila das costas e a jogou no chão, perto de uma parede branca. Felipe fizera o mesmo e os dois se sentaram lado a lado, encostados nessa parede, de pernas cruzadas. O único som que eles podiam ouvir era o dos carros passando na rua da frente.

-Aqui é tão tranquilo. Por que a gente não vem aqui mais vezes? – Felipe perguntou. Estava feliz de sentar e relaxar depois da caminhada da escola até ali.

-Eu esqueço desse lugar. Foi bom você ter falado. Aqui é bom mesmo.

-Tu viu o que o Saulo tava falando lá na sala?

-Sobre o primo dele ter ficado com não sei quem famoso na internet? Eu acho que é mentira.

-Por que ele mentiria?

-Sei lá. Para parecer legal. Até parece que você não conhece o Saulo.

-Hmm... É verdade. Se bem que pra mim foi bem convincente. E acho que pros outros também.

-Talvez seja verdade, sei lá. Eu não estava prestando muita atenção naquela hora.

-O que você tava fazendo?

-Viajando, sonhando acordado. As coisas que faço sempre.

Um momento de silêncio e Felipe falou:

-Esqueci de falar, sonhei com você noite passada.

-Era um sonho erótico?

-Infelizmente não.

-Que pena. E como era o sonho? Me conta tudo.

-Eu estava na sua casa e de repente tu falou que queria andar de skate. Olha que louco, tu nem é skatista. Aí eu falei 'pô a gente tem que arranjar uns skates então', e aí você falou que deveríamos falar com o Pedro. Nós saímos do seu prédio e estamos indo pra casa do Pedro, mas o sonho mudou completamente e nós fomos parar na praia. Tava sol e você disse pra mim que só iria entrar no mar se fosse de roupa, mas eu disse que precisava ser sunga. Não me lembro o que aconteceu depois, só sei que você saiu correndo atrás de mim por algum motivo. Meio sem nexo né?

-Sonhos são assim. Eu também tenho uns sonhos meio nada a ver as vezes.

Ruan olhou para baixo e viu que tinha um machucado no braço direito de Felipe. Era um pequeno arranhão vermelho que já estava cicatrizando.

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