Uma pequena introdução à Etherion

235 30 142

O autor - Rodrigo Zandonadi, aquele que registrou os relatos, ou seja, eu

Foi uma quarta-feira, lembro-me bem disso. Afinal, quem não gravaria na memória o dia em que sua versão de uma realidade alternativa aparece na sua casa buscando abrigo?

Como se estivesse olhando um espelho (em uma versão muito melhor, já que tinha ganhado uns quilinhos desde quando tinha 15 anos - umas boas duas décadas atrás), eu encarei, surpreso, eu mesmo com quinze anos, vestindo uma armadura de couro sobre uma camiseta preta com os dizeres "CTPE - Treinando os salvadores de amanhã", e a julgar pela espada que ele carregava, não deveria ser uma iniciativa dos bombeiros para adolescentes.

- E então - ele/eu perguntou -, vai abrir o portão ou vamos ficar aqui fora, congelando?

Eram quatro da madruga, e minha esposa Deborah continuava dormindo. Sem saber o que fazer eu fui até lá fora, segurando uma vassoura. Antes de chegar no portão, olhei para minha arma mortífera e, suspirando a larguei encostada na parede. Na boa, o cara tinha uma espada. Uma espada de verdade, então uma vassoura não ajudaria em nada - não para um cara como eu que não sabia usar vassouras como armas nem em jogos de vídeo game. Quando eu tinha a idade dele não podia usar nem estilingue.

Abri o portão e então duas meninas se levantaram da frente da casa do vizinho, onde estavam sentadas encostadas no portão. As duas eram branquinhas, e usavam calça jeans e blusas pretas, mas uma tinha o cabelo castanho claro e a outra o cabelo preto. A primeira delas era a cópia exata da Deh, minha esposa, quando tinha quinze anos.

- Nossa - ela disse -, você está com cara de homem, mas não mudou tanto.

Eu achei que ela falava comigo, mas foi o meu eu mais jovem que respondeu:

- Pode até ser... mas ele é mais gordinho.

A outra garota, que era minha cunhada Priscila cuspida e escarrada, como diria meu sogro, deu risada.

- Oshi, mas é uma versão do Rod com pancinha. A Pri reconheceria em qualquer realidade.

Definitivamente era a Pri. Só ela falaria dela mesma na terceira pessoa. É só ela falava "oshi".

-  Hum... ok, não sei o que está acontecendo, mas é melhor vocês entrarem. Vai ser um rolo danado se alguém ver vocês...

Eles se calaram e eu de quinze assenti, em seguida os três entraram. 

Minha cadelinha, Pipoca, fez seu dever de de guarda por cinco segundos, os quais rosnou para os meninos que entravam. Depois disso ela entortou a cabecinha para o lado com as orelhas para cima, olhou confusa por mais alguns segundos e logo em seguida fez festinha para todo mundo.

Quando nos sentamos na sala, a Deborah do outro mundo perguntou se minha esposa, ou seja, a versão dela na nossa realidade estava ali. Quando confirmei ela levantou a mão e falou umas palavras estranhas, que só poderia ser um encantamento (assisti bastante Supernatural e o filme do Dr. Estranho, então presumi que fosse). Ela criou o que chamou de bolha do tempo ali na sala. Assim eles poderiam me contar a história deles sem sermos interrompidos, pois o tempo para nós corria muito mais lento do que para o resto do mundo.

Eu podia surtar, mas já li quadrinhos e assisti filmes (e séries) de heróis demais para saber sobre bolsões do tempo. Então só suspirei e deixei rolar para ver onde aquilo daria.

Eles não quiseram nada para comer, pois tinham jantado em Isikhathi, que na hora eu nem fazia ideia de que existia, e começaram a contar a história de suas aventuras. Gravei tudo que disseram no celular, e agora, depois de catalogar tudo vou repassar para vocês.

A Filha do Tempo e os Elementos PrimordiaisLeia esta história GRATUITAMENTE!