My Wild Heart Bleeds With Yours - I

13 4 0

Acordei com um gotejar insistente na cabeça. Isso me distraiu por um instante e, inicialmente, não pensei em abrir os olhos. Lembrei que quando eu morri estava chovendo muito e... Espera, quando eu o quê?

Abri os olhos quando me dei conta do que havia acontecido. O gotejar atingiu meus olhos diretamente. Praguejei ao me sentar e esfregar os olhos para limpá-los. O liquido que respingara neles era quente e metálico. Sangue. Por algum motivo eu parecia saber disso antes mesmo de olhar.

Suspirei. O cheiro de sangue me distraía, mas eu tentava ser prática. Eu havia morrido. Estava certa de que havia morrido. Então como era possível que eu ainda estivesse ali? Em casa? Será que eu sempre estive no inferno? Até que faria sentido.

Eu estava sentada no chão duro, encarando minhas calças sujas de sangue e meus dedos machucados. Percebi naquele momento que não tinha visto de onde vinha o sangue que pingara em meus olhos.

Levantei a cabeça e dei de cara com um furo no forro que respingava sangue sem parar. Engoli em seco. Isso só podia significar que mais gente morrera comigo.

Consegui me lembrar aos poucos do que acontecera naquela tarde. A invasão da polícia, os tiros, a sensação de que meu corpo estava pesado demais para minha alma... E estava chovendo, chovendo muito.

Mas ali estava eu outra vez.

Vivíssima.

Ou pelo menos parecia estar.

Antes que eu pudesse me perguntar pela milionésima vez que diabos estava acontecendo, alguém colocou a cabeça pela fresta da janela, atraindo minha atenção. Olhos verde-escuro me encararam, curiosos. Então a garotinha pôs seu corpo para dentro.

- Ah, você acordou. Pensei que eu fosse ter que levar um corpo lá para fora. Odeio quando destroem o coração, demora tanto.

Levantei a mão para pedir que ela se calasse. Se eu deixasse ela falaria para sempre.

- Kat, de que diabos você está falando?

- Certo. – Ela balançou o corpo para frente e para trás, como se precisasse aliviar a tensão. – Você é uma vampira agora. Mas eu fiz isso para salvar sua vida, então, por favor, não fique brava.

Ergui a sobrancelha, achando que ela estava maluca.

- O que?

- Isso mesmo que você ouviu. Eu sou uma vampira e transformei você em uma. Ora, vamos, você desconfiava.

- Eu desconfiava de qualquer coisa, eu não sabia nada sobre você.

- Bem, agora você sabe. E precisa saber sobre mais algumas coisas. Eu tinha prometido ao Exército que não transformaria ninguém por impulso e também não queria transformar ninguém sem que antes ela soubesse onde poderia se meter, mas eu não contava com uma invasão da polícia russa à sua casa. Nem com o seu assassinato antes da hora... Deyah me disse que eu saberia quando alguém tivesse sido feita para o Exército e eu sei que você foi, Tatiana, eu sei.

O desespero e a falação dela me fizeram bufar.

- Meu Deus, Kat, calma. Me explique tudo. Depois se desespere.

Ela sorriu.

- Certo, por que não faço isso no caminho até a minha casa? Preciso apresentar mais algumas pessoas a você.

As Crônicas de Kat - A História CompletaLeia esta história GRATUITAMENTE!