30 novo rumo

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O que estava acontecendo aqui? O que eu deveria fazer agora? Sair e fingir que não ouvi nada?entrar lá e gritar como eu sentia vontade de fazer?

-Mag, você não pode estar falando sério!

-estou sim, diga oi pra o papai baby. Precisa me dar abrigo nem que seja por essa noite meu bem. Ou vai colocar sua amada amante e seu filho na rua?

-droga! Fique apenas esta noite, preciso pensar no que fazer!

Aquilo era demais pra mim! Sai daquele corredor o mais rápido possível e cambaleei até o meu quarto. Fui completamente idiota ao pensar que pudesse haver amor em um casamento arranjado como um negócio qualquer. O próprio marido já havia me dito antes, que não podia me prometer amor, mas também nunca pensei que ele pudesse considerar manter uma amante ali.
Me joguei na minha cama e chorei me sentindo humilhada. Já fui humilhada demais, não permitiria que acontecesse novamente, não sem fazer nada contra.
Sequei as lágrimas e chamei Laila para me ajudar a me vestir. Escolhi um bom vestido e jóias desceria para o jantar e escutaria o que ele tinha para dizer.
Quando desci, ele me aguardava como sempre, mas havia algo em seu olhar que eu não conhecia, e ele deve ter visto algo em meu olhar também, pois logo aproximou-se preocupado.

-precisamos conversar claris.

-claro, milorde. Estou realmente ansiosa para saber porquê a sua amante está hospedada em minha casa?!

-oquê? Mas, como você... espere claris, a Margot não é mais minha amante. Há muito tempo, desde antes de nos casarmos, ou nos conhecemos até.

-mas você a ama. Ama o suficiente pra não conseguir me amar, ama a ponto de hospeda-la aqui!na casa que eu estou morando, debaixo do meu nariz!

-escute-me, por favor! Eu tive um romance com a Margot, mas ela era noiva de um homem poderoso e com título. Eu era apenas um soldado do rei, sem muitas terras. A família a obrigou a noivar com outro. Eu estava disposto a abrir mão de tudo e fugir com ela, mas, ela não quis. A família estava falida e ficariam na ruína sem aquele casamento. E quando ela me rejeitou eu parti da cidade e vim servir o rei aqui na corte, onde já havia sido convocado, mas por ela ainda não tinha vindo. Mas nunca consegui esquecê-la, eu temia ter que vê-la novamente e não poder estar com ela e...

-já basta!já deu pra entender o seu amor platônico!

-acontece que hoje eu a vi claris! Eu a vi e ela se ofereceu a mim!alguma coisa mudou. Antes eu nem pensaria duas vezes, mas alguma coisa mudou!

-então porquê ela ainda está aqui?

-ela tem o meu filho nos braços. O barão com quem se casou, adoeceu e morreu, e quando isso aconteceu, ela descobriu que ele estava tão falido quanto a sua família e que tinha casado com ela com os mesmos interesses financeiros, acreditando que sua família ainda tinha fortuna. Antes de morrer ele redigiu um testamento, passando a propriedade para um sobrinho, alegando que o filho que a mulher carregava não era seu, mas um bastardo. O escândalo se espalhou pela cidade, a criança não terá futuro lá.

-assuma a criança, crie ela nesta casa se quiser. Não o tratarei mal. Mas essa mulher deverá sair, ou sairei eu!

Dito isto, dei as costas ao meu marido e subi as escadas, havia dado instruções a alguns criados para que transferissem minhas coisas para o aposento principal, que já estava pronto e havia ficado lindo. Mas nesse momento minha vontade era de quebrá-lo inteiro. Como ele poderia estar em dúvida quando o meu coração só tinha uma certeza? Deveria ficar e lutar ou partir com a dignidade que ainda me restava?

a protegida do reiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora