Capítulo III - Episódio 12

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Ivy iniciou suas pesquisas em livros de história na biblioteca da Torre de Pedra. Muitas informações são de conhecimento comum. Entretanto, dentro dos livros antigos, há coisas que as pessoas não contam. Coisas que quase ninguém sabe.

Leu livros mais antigos, não suas versões originais, mas as revisões que foram criadas com o passar do tempo. Esses livros eram mais modernos e mais fáceis de ler. No processo de reescrita, um cronista mal-intencionado ou de mal humor poderia mudar os fatos, fazendo com que pontos importantes da história se perdessem.

Outro problema era que a língua falada em Ethlon mudara muito nos últimos séculos. O Aurópti trouxe a língua de Ímpera, que se misturou com a dos Terras-Ruins e, aos poucos, foi se moldando na língua que era falada atualmente. Para ler um livro muito antigo era necessário entender um pouco da língua falada na época.

Ivy colocou os dez livros que escolheu para ler sobre a mesa onde passaria as próximas horas. Não poderia ler todos naquele dia, mas qualquer detalhe que descobrisse já valeria a pena.

Ao ver a pilha de livros, Ivy sentiu uma fresta de fraqueza se abrindo em seu peito. Uma que não sentia desde sua infância. Uma dor que estava muito bem fechada atrás de uma parede bem forte.

O fundo do poço para um cronista era passar a vida reescrevendo livros. Fim para os fracassados na carreira que Ivy havia escolhido.

Por um instante, a voz de Anita cruzou pela sua cabeça, lhe cobrando sobre sua decisão.

Ivy era bem segura em sua profissão. Todo trabalho que executava fazia-o com maestria. Entretanto, não havia muito trabalho nos últimos meses. Se não fosse por Derris e Ronald, Ivy não teria encontrado trabalho de qualidade e que rendesse um bom dinheiro.

Até quando a fonte deles não irá secar?

Irritou-se e espantou o pensamento ruim com um tapa sobre a pilha de livros. O estouro ecoou pela silenciosa biblioteca. Uma senhora que lia em silêncio levantou com os olhos arregalados e então a julgou com o olhar.

Ivy sentou, pegou um livro e começou a ler, ignorando as outras pessoas que estavam na biblioteca.

O primeiro livro que leu era em forma de poemas e contava a viagem do Homem do Sol pelos mares até encontrar a terra da salvação. A terra da profecia.

Havia duas coisas interessantes no que leu ou ao menos que conseguiu interpretar entre os versos cheio de palavras que mal compreendia.

Uma delas havia duas entidades: o Sol e o Farol. Foi difícil entender essas duas entidades, mas logo se revelaram ser duas pessoas. Sol era poderoso e tinha autoridade sobre os outros. Farol tinha a capacidade de ver e era o terceiro olho de Sol. A primeira jornada de Sol era encontrar uma pessoa que seria o novo Farol, já que o antigo havia falecido.

Depois, Farol recitava a profecia e Sol ordenava a todo seu povo que embarcasse em barcos e seguisse eternamente para o leste. Deixariam tudo para trás. Tudo para ser destruído e devorado por algo chamado de Sopro Primordial.

A outra parte dessa história toda era que a profecia falava de uma terra da salvação, mas Farol fora enfático em avisar Sol que essa terra era um lugar terrível e sem futuro. Um lugar fadado a desaparecer, onde o dia não era claro como os que eram acostumados a vivenciar. Viver em um lugar assim era um castigo pelos atos cometidos que levaram o Sopro Primordial a acordar.

Em resposta à profecia, Sol aceitou seu castigo, mas prometeu que, por onde ele fosse, o Sol brilharia. E quando pôs o pé na terra prometida, o Sol brilhou lá pela primeira vez, fazendo os dias serem tão claros como nunca vistos antes.

A saga dos filhos de Ethlon I - Porto das PedrasOnde as histórias ganham vida. Descobre agora