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O amor é a força mais poderosa que existe. É o amor que te faz acreditar, perseverar, nunca desistir e ir além do que achava eram tuas capacidades e alcançar aquele sonho dourado que parecia impossível. É pelo amor que você mergulha de cabeça no escuro e encontra a força que precisava para superar quaisquer obstáculos. E a história que eu vou contar a vocês é sobre esse tipo de amor, esse amor mágico, que transforma. Mas a história não é só sobre amor, é muito sobre acreditar.

Toda vida eu tinha escutado que Braites não podiam ter relacionamento amoroso com Lalulis. Toda vez que isso acontecia, o Laluli fazia o Braite ficar fraco e perder sua magia. Bom, perder a magia é a pior coisa que pode acontecer para um Braite, pois significa perder sua essência, deixar de ser um Braite e virar uma coisa qualquer que não é nada.

Mas o amor tem muitas facetas e é uma força poderosa demais para querer controlá-la. Ao contrário disso, temos que viver em harmonia com a energia do amor, navegar por ela e nunca abafá-la, mas eu era muito nova e àquela época eu não sabia de toda força que o amor tinha.

Eu só tinha dezesseis anos quando me apaixonei perdidamente por Raul, um Laluli lindo de cabelo roxo e grandes olhos cor de mel que estava no último ano do colégio. Tinha alguma coisa no jeito dele que me fez apaixonar por ele perdidamente. Ele virou um pensamento fixo em minha mente, eu tentava a todo custo pensar em outra coisa, mas não adiantava, só pensava em ter aqueles grandes olhos de mel só para mim.

Eu tentava sempre me enganar, dizia para mim mesma que ele era feio, horroroso, que não tinha nada demais, que minha vida mágica ao lado de minha família era o que havia de mais importante, beijá-lo não seria a melhor coisa que podia acontecer na minha vida, ter aqueles grandes olhos mel me olhando sempre que quisesse não valeria a pena, mas meu coração não se deixava enganar e bastava cruzar com ele no corredor da escola para ele disparar a milhão e uma alegria pulsante invadir todo meu corpo. Toda vez que eu o via, ainda que de longe, a alegria que eu sentia era instantânea. Eu vivia todos os dias só para sentir esses momentos mágicos, e se eu não o via, dava um jeito de descobrir onde ele estava, só para espiá-lo. Nada era melhor que aquele Laluli divino. Sim, eu estava absolutamente, completamente, perdidamente apaixonada.

Foram meses de muita luta contra tudo o que meu coração me dizia. Eu tentava não sentir, mas era impossível, eu só conseguia pensar nele todos segundos de minha vida. Na escola minhas tentativas de fuga eram decepcionantes. Eu jurava de pé junto que não procuraria por ele, mas era só eu colocar os pés na escola para meus olhos varrerem os quatro cantos buscando por ele. E quando ele estava por perto então, era insuportável, eu tentava desviar os olhos, olhava para cima, para baixo, para os lados, devia parecer uma alucinada, mas logo depois eu o encarava sem conseguir disfarçar. E aqueles olhos grandes e indefesos me olhavam de um jeito doce, que não sei explicar, parecia que eu podia salvá-lo de tudo e que juntos mudaríamos o mundo. Sabia que era loucura pensar assim. Era tudo loucura, eu sabia, Braites e Lalulis não podem ficar juntos, mas não me venha com esse sermão que para isso eu já tenho a minha mãe.

— Paaaaam! — gritou minha melhor amiga ensandecida me trazendo de volta à realidade.

— Ai! Peraí, Lola! Que escândalo! Que foi? — disse fingindo ignorar o que eu sabia que ela iria me dizer.

— Pamela, cara, você precisa parar com isso. Já te falei. Vai dar ruim, Pam, vai dar muito ruim! — ela praticamente gritava.

Vai ser a melhor coisa do mundo se um dia eu puder beijá-lo, pensei empolgada lembrando daquela boca perfeita que Raul tinha.

— Não enche, Lola! — disse fingindo que não era relevante sua preocupação.

— É sério, Pam, é sério! Não podemos, você sabe — Lola arregalava os olhos toda vez que ficava aflita.

#ACREDITE (VENCEDOR DO #THEWATTYS2018)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora