24 evitar as carruagens

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- perdoe-me milorde, talvez eu esteja sendo egoísta.  Um casamento como o que me foi proposto é o sonho da maioria das mulheres da nossa sociedade. Esperar o amor nem sempre é uma alternativa,  principalmente quando é um casamento arranjado como o nosso está sendo.  Farei de bom grado o que me foi proposto pelo rei.

Apesar da minha consciência me dizer que isso era o certo a fazer, meu coração ainda sentia pelo futuro que teria pelo resto da vida, e antes que eu percebesse uma lágrima rolou pela minha face. Só me dei conta ao ver o olhar apavorado do conde a minha frente, que imediatamente sentou ao meu lado na carruagem e segurou minha mão entre as suas,  enquanto olhava profundamente em meus olhos.

-ei, não precisa chorar. Não sentirmos amor um pelo outro não quer dizer que não seremos felizes. Existem outros sentimentos que compartilharemos juntos, e que eu posso imaginar que será muito prazeroso. Desde que a vi pela primeira vez tive vontade de abraçá-la e cuidar de você,  de me aproximar um pouco mais e sentir o seu perfume mais próximo a mim...naquele momento o dever não permitiu que o fizesse,  mas, agora é minha noiva e quero que sinta o mesmo que eu sinto.

Sua voz estava rouca e o seu olhar estava feroz, sua mão livre me puxou para mais próximo de sí eu pude sentir seu calor invadir meu corpo. Senti sua mão firme e quente subir pela minha coluna e puxar o meu rosto de encontro ao seu, e dessa vez ele não parou. Seus labios pressionaram os meus e imediatamente virei prisioneira dos meus instintos,  me deixei levar pelo seu sabor doce e lhe dei passagem pra que aprofundasse ainda mais o beijo. Por um momento o capitão parou e me olhou de um jeito estranho,  mas logo recomeçou e novamente eu não fiz nada pra o deter, pelo contrário,  algo  dentro de mim sabia que ainda tinha muito a ser descoberto. Suas mãos passeavam ávidas pelo meu corpo, e eu sabia que não devia agir dessa forma vulgar, mas, eu não podia  resistir. Isso era mesmo tão impróprio?  Quando a carruagem parou derepente,  o movimento nos trouxe de volta a realidade, e o conde afastou-se de mim novamente.

- perdoe-me,  acho que não devemos andar a sós de carruagem até o dia do casamento,  a não ser que tenha algo muito urgente como ir a costureira por exemplo.

Apesar do humor na sua voz eu estava realmente muito envergonhada, e minha respiração ainda não tinha voltado ao normal,  então preferi não dizer nada.  Já estávamos chegando ao patio do castelo e evitei olhá-lo nos olhos, mas quando o fazia via o seu ar de riso.
Esse casamento iria me enlouquecer!

Assim que estacionamos em frente ao castelo, o conde me ajudou a descer e sua proximidade novamente me deixou desnorteada.

-com licença milorde, obrigada por me acompanhar.

- acho que já podemos parar com as formalidades claris, chame-me apenas de Derek.

-não quero que me tome por vulgar apenas por ser uma viúva milorde,  acho que poderemos nos tratar com intimidade apenas após o casamento,  e quero dizer isso em todos os sentidos.

Agora o meu rosto queimava e eu me sentia uma idiota na frente do conde.

-não estou pensando mal algum sobre você,  já me desculpei pelo que houve na carruagem, fui eu quem iniciou tudo. E se quer saber, isso confirma ainda mais a minha teoria, de que possamos descobrir a felicidade juntos.
-até lá,  Evitemos as carruagens,  milorde.

Curvo-me brevemente ao me despedir apenas para irritá-lo um pouco. Como pode me afetar tanto e parecer tão tranquilo?

a protegida do reiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora