CAPÍTULO 13

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Regressão

          Enquanto medita, Malik recebe uma mensagem de Andyrá. O jovem mercenário se levanta, sai do seu quarto e segue por um longo corredor. Kamikia o encontra.

          — Ei! Pra onde vai com tanta pressa?

          — Meu tio... Me disse que preciso despertar a essência de Artemísia. — Malik diz, um pouco irritado.

          — Sei o que está pensando... "não sou babá de uma pirralha". — O líder de Kûara diz, em tom irônico.

          — Ei... não me irrita. Ela foi entregue aos seus cuidados, você que deveria...

          — Eu sei, e a treinaria com prazer, mas quem sou eu pra contrariar os "desígnios do destino"... seu tio é um dos sábios mais respeitados em Apolo e o mais respeitado entre os mercenários, se ele escolheu você pra...

          — Tá! Já entendi... não precisa me lembrar disso toda hora.

          — E o que você vai fazer pra despertar a essência da Artemísia?

          — Ainda não... — Antes de completar a frase, Malik observa um quadro na parede. É uma imagem de alguém que se desconecta de sua consciência. — Regressão. — O mercenário diz, sorrindo, então segue para o dojo.

          Malik está no dojo, aguardando Artemísia. Ela entra no grande salão e segue em direção ao seu novo mestre. Os dois se cumprimentam e se sentam de frente um para o outro.

          — Artemísia, você já fez regressão?

          — Regressão? Não sei... o que é isso?

          — Há muito tempo foi descoberto que nossas células funcionam como unidades de memória, elas carregam não somente as nossas memórias, mas, também, de todos os nossos ancestrais diretos. Assim, é possível recordar momentos vividos por ancestrais nossos, em qualquer época.

          — Puxa! Não sabia disso... realmente nunca fiz regressão. Parece incrível, mas qual a utilidade disso pro meu treinamento?

          — Digamos que há dons adormecidos em você e que precisamos despertá-los...

          — E não haveria outra forma?

          — Talvez, mas não tão eficiente quanto a regressão pode ser. — Artemísia fica preocupada e olha para o chão. — Você está com medo?

          — Não... — A jovem discípula responde com a voz trêmula. Malik sorri.

          — Melhor deixar pra outro dia, então... — O mercenário se levanta e se afasta, seguindo em direção às armas, no dojo. Artemísia observa o mestre se afastando e teme parecer indigna de ser sua discípula. O medo era um sentimento vergonhoso para ela.

          — Não precisamos esperar por outro dia... — Malik para e sorri. — O que devo fazer? — O mestre se vira.

          — Venha! Iremos para o jardim!

          Artemísia segue em frente. Malik abre uma das portas do dojo, que leva até o jardim da nova Casa de Kûara. Eles se sentam perto de uma pequena cachoeira artificial. O sábio mercenário pede que Artemísia feche os olhos e que se concentre no barulho da água caindo. Após Malik recitar alguns pequenos mantras, Artemísia entra em transe com facilidade.

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