Esqueletos no Armário - VI

Começar do início

Voltei à leitura do texto, com Ellie ressonando próxima a mim. Quando terminei a leitura e Ellie acordou, o sol já havia se posto. Não me surpreendi quando saí e as velas já estavam acessas por toda a casa. Nem perguntei onde conseguiram velas. Nos sentamos todas no tapete à espera de Bianka e enquanto todas conversavam sobre o que iam pedir, eu chamei Sophie.

- E então? Feliz sobre essa história de ter a alma?

- Não sei. Faz muito tempo que eu não sinto nada.

- Deve ser uma sensação estranha. Ter a alma de volta.

- Ainda não tenho toda a minha alma de volta. Só fragmentos. É tudo uma confusão aqui dentro. E de qualquer forma ela não voltará a estar dentro de mim, só perdida em algum lugar comandando meu corpo. Nada disso faz sentido.

Tentei animá-la, mas era uma situação estranha.

- Em breve não precisará mais de sangue.

Ela sorriu, olhando para as vampiras mais novas em frente.

- Aposto que Kaylee mataria para estar no meu lugar.

Eu ri do trocadilho e ouvimos as batidas de Bianka na porta. A bruxa entrou toda feliz na sala. Contou que passara o dia treinando pois a escola onde estudava não abrira por suspeita de bomba. Isso também era ruim porque sua mãe não a deixaria sair naquela noite, mas ela aproveitou o toque de recolher e pulou a janela.

- De qualquer forma, agora estou pronta para responder às suas perguntas. – Ela se sentou no mesmo lugar onde se sentara ontem – Quem será a primeira?

Todas olharam para Sophie com certa adoração. Ela suspirou.

- Eu.

Os olhos escuros de Bianka faiscaram.

- Certo. Você quer primeiro sua resposta ou revelará primeiro o seu segredo? Vou logo avisando, seu segredo tem que ser equivalente à dimensão do seu pedido.

Todas esperávamos por isso.

- Primeiro meu pedido. – Sophie respondeu, soando cansada. – Preciso que você ache minha irmã.

- Fácil. – Bianka respondeu, sorrindo. – Sabe do que eu preciso?

Sophie concordou com a cabeça. Bianka pegou a mochila que deixara ao lado do sofá e tirou um punhal dali de dentro.

- Está purificado. Eu juro.

Sophie revirou os olhos. Como se fizesse diferença. Bianka entregou o punhal para Sophie e procurou uma página em banco em seu grimório. Quando encontrou, colocou a frente de Sophie e em meio a um silêncio sepulcral ela cortou o pulso sobre a página. Depois que o sangue gotejou o suficiente, Sophie usou o próprio vestido para estancar o sangramento.

- Eu deveria beber o seu sangue para regenerar isso aqui.

- Shhh... – Bianka fez, concentrada no sangue sobre a folha de papel. – Não recomendo que você se alimente agora. E em breve seu corpo estará se regenerando sozinho.

Um sussurro de admiração tomou conta da sala, mas foi silenciado quando a janela da sala bateu com toda força. Nos focamos nas páginas sujas de sangue. Bianka sussurrou algumas coisas e o sangue trocou de forma. Aos poucos assumiu a forma de uma casa.

- Gütt Straße, 163. – Ela disse, depois de um tempo. Pegou uma vela para secar o sangue sobre a folha. Ele serviria de lembrança de um feitiço.

- O QUE? – Sophie quase pulou.

- Ela está em Berlim. – Bianka respondeu, sem olhar para ela - Gütt Straße, 163.

- Quais as chances...? – Sophie estava maravilhada, chocada ou amedrontada. No escuro, eu não saberia dizer.

As Crônicas de Kat - A História CompletaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora