CAPÍTULO XIII

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A professora de matemática chegou a sala de aula naquela manhã e disse aos alunos que iria passar uma atividade em dupla para nota. Ruan Dias virou-se em sua cadeira e deu um sorrisinho para Felipe Barbosa, sentado logo atrás dele. Como sempre, os dois amigos – e agora namorados – iriam fazer juntos a atividade. De repente a sala se encheu com o barulho de cadeiras e mesas sendo arrastadas, à medida que os adolescentes formavam suas duplas.

Aquela era a primeira aula após o intervalo e a terceira do dia. Pela janela era possível ver um céu cinza nublado e uma leve brisa do vento fazia as cortinas balançarem.

-Exercício pra nota de novo, que saco – Reclamou Felipe logo após Ruan juntar a sua carteira com a dele – Ela mal passa uma matéria nova e já tem isso.

-É chato mesmo. Mas acho que consigo fazer, essa matéria não é TÃO difícil.

-Se não fosse você eu estaria fodido. No último exercício que ela passou, eu e você não estávamos nos falando... Eu fiz com Mariana.

-E aí?

-Foi uma merda, ela não sabia nada e nem eu. Tiramos quatro.

Após um risadinha sarcástica, Ruan respondeu:

-Você não vai ter mais esse problema. Vamos fazer juntos todas as atividades em dupla a partir de agora tá?

-Ok. Valeu.

Ruan adorava saber que Felipe precisava dele. Foi impossível não sorrir e se sentir orgulhoso naquele momento. Todos esses anos de amizade e finalmente ele estava no lugar em que sempre desejou estar. Felipe era seu.

-Ah Felipe, você não muda mesmo – Ruan comentou.

-Como assim?

-Tipo... Você é lindo demais. E gostoso pra caramba. Mas continua burro.

-Obrigado. Obrigado mesmo – O garoto se ajeitou na cadeira – Depois dessa tu vai ver só.

-Eu estou apenas brincando seu bobo.

-Vou ficar um mês sem ir na sua casa.

-É brincadeira Felipe, você não é burro.

Felipe abaixou o tom de voz e sussurrou:

-E nada de sexo. Só por que você falou isso.

-Ah não, para. Era só zoeira, poxa...

Então Felipe deu risada e disse:

-Eu sei, tava brincando também. Você ficou desespero hein.

-Se tá louco, um mês sem ir na minha casa. Eu não ia aguentar. Não se brinca com isso.

-Eu também não iria aguentar. Mas fala sério... Você me acha burro?

-Não, claro que não. Você só não é bom em matemática, só isso.

-Hm... Então tá.

Quando a professora começou a passar os exercícios no quadro negro, Ruan arrancou uma folha do seu caderno e escreveu seu nome na primeira linha. Depois passou para Felipe, que fez o mesmo.

-Eu copio as questões tá? – Ele perguntou – Já que você vai acabar resolvendo mesmo.

-Tudo bem. Como você quiser.

Ruan cruzou os braços e ficou de bobeira em quanto Felipe copiava os exercícios da lousa. A sala estava bastante barulhenta com as vozes dos adolescentes que não paravam de falar. A melhor parte disso é que ninguém prestava atenção em Ruan, que teve uma ideia repentina, mas que estava com medo de fazê-la. Era algo que ele já havia imaginado antes, mas que a oportunidade só surgira agora, com essa atividade em dupla.

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