Capítulo IV

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Olhei para o celular enquanto caminhava, 19:02, eu estava na praça, mas o coreto ficava bem no centro dela, era um lugar muito fofo, tinha três mesas dentro, era rodeado de flores de todos os jeitos, suas luzes pareciam estrelas, e tinha duas fontes que esguichavam água, uma de cada lado, elas eras cheia de moedas. Era um lugar lindo para se ter um encontro.

Dei mais alguns paços, e pude ver que tinha um homem sentado na mesa do centro no coreto, provavelmente era Vitor. Meu coração disparou, fazia um tempo que eu não tinha um encontro, e o último não foi muito bom, isso me veio a tona e fiquei com medo de acontecer uma desgraça de novo. Respirei fundo e cheguei por trás dele.

-Vitor?!

Ele virou seu rosto, estava de óculos escuro de novo, e disse, abrindo aquele sorriso por qual me apaixonara na sexta feira.

-Maria, tudo bem?! Sente-se.

Eu já amava a voz dele. Respondi que sim. Me sentei, de frente para ele, para que pudessemos olhar nos olhos um do outro, depois que ele tirasse aqueles óculos.

Ficamos uns dez segundos aterrorizantes, olhando um para cara do outro, até que ele começou a falar.

- Bem, antes que possamos começar, eu tenho uma coisa pra te dizer... hmmm... eu pensei que se dissesse antes, talvez você não fosse querer sair comigo, e eu gostei muito de você, mas tudo bem se você não querer continuar esse encontro, eu vou entender, é que eu...

Ele tirou os óculos, seus olhos eram maravilhosos, de um tom de azul inexplicavelmente claro, era maravilhoso, fiquei até sem ar por um instante, aquele homem sem dúvida alguma era o mais lindo que eu já vi em todos os meus 20 anos de existência. Mas eu não estava olhando para mim, ou para meus olhos, como pensei que seria, parecia que eles estava vendo o infinito, me perdi em meus pensamentos até entender. Ele não estava me vendo.

-Maria!- Ouvi ele me chamando.

-Estou aqui!

-Eu sou idiota, eu devia ter te contado antes, você não percebeu lá no bar, tudo bem se você querer ir embora....- ele disse, todo desesperado, achei fofo.

-E por que eu iria embora ?

-Porque eu sou cego.

Por um instante o odiei, por dizer isso, mas acho que ele já deve ter passado por isso antes.

-Para, isso não tem nada ver - disse sorrindo, e dei uma empurradinha no ombro dele para descontrair. Ele riu.

Realmente não tinha nada ver, eu não era o tipo de pessoa que trataria uma pessoa de maneira diferente, por não ser como todo mundo.

-Então Maria, como foi seu dia? Até rimou - disse ele, e corou.

- Foi ótimo, minhas familia estava bem sorridente hoje, isso me alegrou, já que esses últimos dias não foram muito legais. E você, como foi seu dia?

- Bom, digamos que meu dia foi bem normal, a não ser por esse encontro - disse sorrindo, porra, ele tem que parar de dar esse sorriso toda hora, ou eu vou infartar. Ele continuou - Desculpa a pergunta, mas por que seus últimos dias não foram bons?

- Minha mãe e meu pai se divorciaram a dois meses, eles estavam muito tristes, foi um casamento de 20 anos, bom, eles ainda estão tristes, mas ontem minha mãe estava animada, e hoje meu pai também estava, o que é bom. E meu irmão e a namorada, tinham brigado, mas já estão de bem, a única coisa que está me deixando de cabeça quente agora é a matéria de Biologia, eu estudo, estudo e não entra na minha cabeça - eu disse, parecendo uma matraca.

- Entendo, bom, pelo menos três dos seus motivos que estavam fazendo você ficar mal, estão com um sorriso no rosto. Tinha que ser a maldita biologia- ele disse, coçando o nariz- Qual seu curso na faculdade?

O amor em seus olhos Onde as histórias ganham vida. Descobre agora