INTERLÚDIO 1

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          — Já se passaram muitas horas desde que chegamos aqui, todos os testes já foram feitos, não há traidores entre nós. — Dandara diz ao presidente da assembleia. Nesse momento, Heitor, sentado no lado oposto a Dandara, na mesa circular, recebe uma mensagem.

          — Sim, já estamos aqui há muito tempo e os testes já não são necessários. A traição foi confirmada. — Heitor diz, enquanto projeta a imagem, enviada pelo drone das Munakata Sanjojin, de Artemísia na casa de Yby. — Vejam, Yby acolheu uma desertora da minha Casa sem o meu consentimento. — Heitor projeta, sobre a imagem atual de Artemísia, uma imagem do tempo em que ela viveu nas ruas, com outras novatas da casa de Heitor em treinamento. Uma discussão começa entre os líderes. O presidente impõe ordem à assembleia.

          — Todos em silêncio. Yby... o que você diz em sua defesa? — O presidente diz.

          — Dandara encontrou Artemísia, sozinha, em Abaeté. A menina não tinha a marca da casa de Heitor, marca que todos nós concordamos que deveria ser obrigatória para esse tipo de treinamento, exatamente, para evitar mal entendidos. Artemísia nunca comentou sobre ter vivido nas ruas como ladra e nunca demonstrou tais habilidades em minha casa.

          — Nunca? Então... o rápido desenvolvimento da menina nos treinos nunca despertou sua curiosidade sobre o passado da sua protegida? — Heitor diz, a assembleia fica agitada novamente. Dandara fica preocupada, pois se lembra do episódio na Primeira Cidade, em que uma das meninas de Heitor tentou roubar o bracelete de Artemísia e de como ela ficou pensativa, de repente.

          — SILÊNCIO! — O presidente grita, irritado. — Heitor! Muitos, aqui, condenam seus métodos para admitir mulheres em sua casa, você sabe muito bem disso e já foi avisado diversas vezes que se tais métodos trouxessem problemas para as casas você deveria abrir mão deles ou perderia o direito de manter a sua casa. Diante do que foi exposto por Yby, não acato sua acusação de traição, mas Artemísia deverá retornar à sua casa, pois, do contrário, você terá o benefício do direito de vingança. — O presidente diz a Heitor, que sorri sarcasticamente.

          — Nesse exato momento, esse meu direito está sendo posto em prática. — Heitor diz. Os líderes se levantam, todos discutem entre si, alguns tentam atacar Heitor. Dandara não consegue se levantar, o pânico toma conta dela. Yby e Petra saltam sobre a mesa e atravessam, enfurecidas, o vazio no centro até chegar a Heitor, que se apressa em deixar a assembleia, escoltado por dois de seus generais e por alguns líderes de casas fiéis a ele. Soldados da assembleia conseguem deter Yby e Petra, após as duas lutarem bastante. Heitor consegue fugir.

          — MALDITO! Você está morto, Heitor! MORTO! — Yby diz, cheia de ódio, vendo Heitor partindo, ao longe.

          O presidente desiste de impor ordem à assembleia. Agora as Casas estavam em guerra.

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