CAPÍTULO XII

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Renan Silveira e João Pedro Gomes saíram de suas escolas quase ao tempo e se encontraram na rua como de costume. Era um dia ensolarado e quente, e os dois amigos já tinham planos para aquela tarde. Dessa vez a diversão estava marcada para acontecer na casa de Renan.

-Caralho que calor – João comentou, enquanto eles caminhavam na calçada em direção à casa de Renan – Quando eu chegar na sua casa vou ficar só de short.

-Pode ficar à vontade. Até por que, uma hora a gente vai ficar pelado mesmo.

-Não fala isso na rua seu louco.

-Não tem ninguém por perto, calma.

-Mesmo assim né. Temos que tomar cuidado.

-Tá bom, foi mal.

João usava a camisa branca e azul do uniforme do Liceu América. Sua bermuda era jeans claro e o tênis branco era quase novo. Renan vestia o uniforme estadual, uma bermuda preta e um tênis azul escuro. Ambos os garotos carregavam suas mochilas nas costas.

-Não via a hora das aulas acabarem – Dizia Renan, chutando uma pedra que encontrou pelo caminho. De repente ele abaixou o tom de voz – Tô com mó tesão desde que acordei.

-Aé?

-Sim. Pensei até em bater uma antes de sair de casa mas achei melhor guardar pra depois. Você tá como?

-Com bastante vontade também. Principalmente depois da mensagem que você me mandou no meio da aula de educação física.

-Gostou né?

-Claro. Fiquei durasso com aquilo.

-Hehe, que bom.

A casa de Renan era pequena e ficava nos fundos de um sobrado. Os dois atravessaram um portão de ferro e seguiram reto até chegarem a um pequeno quintal, com um varal cheio de roupas secando ao sol e várias plantas em cima de um muro. Renan abriu a porta da casa com sua cópia da chave e logo que eles entraram na sala, o garoto disse:

-Já vai tratando de colocar o shortinho e ficar bem à vontade. Oportunidades como essa são bem raras aqui em casa.

-Pode deixar.

João Pedro largou a mochila no chão, abriu o zíper dela e tirou de dentro um short preto bem confortável. Como os dois estavam sozinhos, ele vestiu o short ali mesmo no meio da sala, tirando também os tênis e a camisa. Enquanto isso Renan ia até a cozinha beber água.

-Posso ligar o ventilador de teto? – João gritou para o amigo no outro cômodo.

-Pode não. Deve.

-Dá pra você trazer uma garrafinha de água pra mim? Tô com sede.

-Tá bom.

Completamente à vontade, João Pedro sentou-se no sofá vermelho e respirou fundo. Já fazia algum tempo que ele não ia na casa de Renan. Era bom mudar a rotina com o amigo de vez em quando.

Renan retornou da cozinha com uma garrafinha de água e deu-a para João.

-Valeu – Agradeceu o garoto, tomando um longo gole – Tem certeza que temos a tarde inteira pra nós né?

-Claro. Certeza absoluta. Está animado?

-Sim, bastante.

Eles se entreolharam por alguns poucos segundos e logo estavam se beijando. A casa estava completamente silenciosa, exceto pelo som do ventilador de teto girando a cima deles. Quando enfim seus lábios se desgrudaram, Renan sorriu e falou:

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