CAPÍTULO XI

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Após saírem do cinema naquele sábado, Ruan Dias e Felipe Barbosa foram até o ponto de ônibus do outro lado da rua. Eles bem que poderiam voltar para casa andando, mas Felipe disse que estava com preguiça. Era uma tarde nublada e os dois adolescentes estavam muito ansiosos para ficarem sozinhos.

-O que você achou do filme? – Perguntou Ruan. Usava uma camisa preta, uma calça jeans e tênis escuro.

-Eu estava sem expectativa, mas me surpreendi positivamente. Achei muito foda.

-Eu também gostei.

Felipe estava usando uma camisa cinza de manga comprida que valorizava bastante os músculos do seu corpo. Ele também estava usando um boné preto com a aba para trás como de costume e sua calça jeans escura também era bastante apertada. Seu tênis branco era de cano alto e ele estava impregnado com um perfume masculino que Ruan adorava.

-Tá ansioso para ir lá pra casa? – Ruan perguntou baixinho.

-Claro – Respondeu Felipe, visivelmente envergonhado – Eu espero que dê tudo certo.

-E por que não daria? Qual é o seu medo?

-Não sei. Já imaginei muito esse momento. Quero que seja perfeito.

-Vamos deixar rolar, sem criar expectativa. Você parece muito tenso.

-Na verdade eu tô muito ansioso. Poderíamos ter pulado o filme e ficado na sua casa.

-Ah não, o cinema foi legal. Eu gosto de sair e curtir contigo. Não quero que isso seja apenas...

Como havia outras pessoas no ponto de ônibus, Ruan não completou a frase.

-Eu também gosto – Felipe respondeu, abaixando o tom de voz – Mas como essa vai ser a primeira vez, eu tô muito ansioso. Não paro de pensar nisso há dias... Acho que depois vai ser mais tranquilo.

-Hmm... Entendi. Então quando a gente chegar lá em casa, não vamos enrolar muito tá? Já que você está tão ansioso assim.

Ruan abriu um sorriso triunfante. Ele mal podia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo, que ele tinha conseguido o que tanto desejava. Não poderia estar mais feliz e agradecido pelo rumo que as coisas haviam tomado.

O ônibus não demorou para passar, e Ruan e Felipe se sentaram no fundo, lado a lado. A viagem era de apenas dez minutos e eles passaram boa parte do tempo conversando e tentando disfarçar a ansiedade. Felipe estava sentado ao lado da janela, e em certo momento olhou para a paisagem da rua em movimento e ficou quieto, pensativo. Ruan queria muito ter o poder de ler pensamentos, só para saber o que se passava na mente do amigo naquele instante. Será que estava de pau duro também? Se não houvessem tantas pessoas dentro daquele ônibus, ele bem que teria perguntado...

Eles desceram uma quadra atrás do prédio de Ruan. O céu estava bastante escuro, indicando que poderia começar a chover a qualquer momento. Os dois caminharam rapidamente até a rua onde Ruan morava, e entraram em seu prédio. A cada passo que dava, Felipe sentia-se ainda mais ansioso. Mal podia esperar para ter Ruan em seus braços, recebendo e dando prazer.

-O que você estava pensando àquela hora no ônibus? – Perguntou Ruan quando eles atravessaram o portão.

-Quando?

-Quando você ficou olhando pela janela, todo quieto.

-Ah, sobre várias coisas. Fiquei refletindo sobre o que tem acontecido ultimamente.

-Sobre nós dois também?

-Claro.

-Hoje foi basicamente o nosso primeiro "encontro". E eu curti bastante. Nós já tínhamos ido ao cinema juntos outras vezes, mas hoje senti uma vibe diferente.

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