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Pen Your Pride

Capítulo 23

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Doc se levantou da poltrona com um salto e sorriu de lado.

― Vocês dois têm muito o que conversar ― falou, olhando para mim. ― Vou dar um pouco de privacidade. Estarei no cômodo ao lado organizando alguns equipamentos. Venham até mim quando estiverem prontos.

Paco e eu ficamos nos encarando por um longo tempo. Abri minha boca diversas vezes, mas a fechei logo em seguida porque realmente não sabia o que devia perguntar primeiro.

― Eros... tipo o deus grego? ― foi o que consegui proferir com um fiapo de voz.

Paco fez uma careta.

― Ele dificilmente pode ser considerado um deus no sentido tradicional da palavra, mas... Basicamente, sim.

― Você é filho de Eros, o deus grego? ― perguntei de novo, só para garantir.

Paco assentiu.

― Olha, me desculpa ― ele se inclinou para perto de mim e quase tocou na minha perna, mas por fim decidiu apenas colocar a mão boa no bolso da calça. ― Eu queria ter falado alguma coisa antes, mas... nunca me pareceu muito oportuno e... bom, você...

― Uau ― eu interrompi. ― Isso deve ser uma grande pressão para você.

Paco pareceu surpreso com a minha reação.

É claro. Cinco minutos atrás eu estava prestes a enforcá-lo com as minhas próprias mãos, e agora eu estava só... muito interessada.

Também, né, quem não estaria? Não é todo dia que você encontra um filho de um deus grego passeando por aí. Todo aquele drama da minha morte iminente e tudo o mais podia dar uma pausa de cinco minutos para que eu pudesse satisfazer todas as minhas curiosidades quanto à vida de Paco.

― É uma pressão indescritível ― Paco suspirou com genuíno cansaço. ― Sou o primeiro filho dele em mais de cinquenta anos e... Bom, ele já é exigente o suficiente com cupidos regulares. Mas com membros da família, com verdadeiros Sanguiniscupitus, sangue de Eros... como Doc e eu...

― Doc?

― Doc é meu... meio que meu sobrinho... mais ou menos... Bem, é complicado. Não vem ao caso agora. O fato é que Doc sabe como é difícil ser sangue do sangue de Eros. Mas... a pressão de ser filho dele é incomparável.

Eu só podia imaginar. Crescer à sombra de um deus, tendo as pessoas sempre esperando que ele fosse tão grandioso quanto o pai... A vida de Paco não devia ter sido um mar de rosas.

― Foi por isso que você chorou até se acabar quando descobriu que não iria poder fazer seu trabalho por um mês? ― perguntei delicadamente.

― Se ele descobrisse... se ao menos suspeitasse que eu errei daquela maneira no dia em que nos conhecemos, Lili... ― Paco sacudiu a cabeça, afastando lágrimas. ― Posso ter imunidade política, então eu não sofreria punição corporal, mas ele... ele definitivamente me deserdaria. Minha mãe...talvez nunca mais quisesse olhar na minha cara e... Eu seria, sem dúvidas, condenado ao ostracismo.

― Eu nunca imaginaria isso do deus do amor.

― O negócio dele definitivamente não é o amor familiar.

Paco encolheu os ombros e fingiu que aquilo não o afetava, embora eu pudesse perceber, pela mágoa escondida em sua expressão, que a indiferença e crueldade de Eros eram a base de todos os problemas psicológicos de Paco.

Coloquei minha mão sobre a mão engessada de Paco delicadamente.

Ele levantou os olhos para mim finalmente. E seu rosto demonstrava um arrependimento tão intenso que me senti abalada.

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