Capítulo II - Episódio 9

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Luan acordou em sua cama na mesma posição em que dormiu. Suado e cansado. A noite havido sido terrível, com pouco sono.

Os pesadelos tomaram conta de sua mente a noite toda. Apesar de não serem sonhos tão assustadores, a paralisia do sono tomou conta em cada vez que tentava acordar, diversas vezes durante a noite.

Em um dos sonhos, Luan estava sentado ao lado do Imperador do Sol, enquanto jantava com mais seis pessoas. Parecia uma reunião de conselho, todos arrumados e engomados. Entretanto, o Imperador parecia um pouco mais forte do que ele lembrava.

A conversa entre todos era acirrada, mas Luan não entendia todas as palavras que saíam da boca das pessoas. Ele sabia do que se tratava. Era algo ruim. Era uma decisão que o Imperador precisava tomar e o resto do conselho parecia estar contra a sua vontade.

— Mark — disse Luan, pondo-se em pé em frente a todos. — Eu tenho um único aviso sobre isso que os demais estão falando. Eu sei que as forças do Norte estão nos pressionando e o conflito interno no Império está em uma situação tensa. Mas saiba que previ nas brumas que o efeito colateral disso pode ser catastrófico. Por fim, apoio sempre sua decisão, meu senhor.

Depois de um período perdido do sonho, Luan andava por um corredor e um homem o encontrava no fim. Pensava em correr, mas estava paralisado. Não conseguia se mover. O mundo estava mais escuro. O homem vinha e sacava uma faca.

E Luan acordava, saltando da cama.

— Brumas...

Naquela manhã precisou tomar um banho antes de ir para suas aulas na Torre de Pedra. O suor havia impregnado em sua pele e seu cabelo parecia ter sido modelado com gordura.

Depois de um banho gelado, tomou café da manhã junto de seus pais.

— Tudo bem, Luan? — Seu pai lhe perguntou com cara de assustado, enquanto mordia um pão recheado com carne seca. — Parece cansado.

— Pesadelos — respondeu e continuou a refeição em silêncio.

O pai de Luan era muito parecido com ele. Em fisionomia e no comportamento. Ambos tinham o cabelo escuro e comprido até os ombros. Os olhos eram azuis-escuros, tão escuros que o contraste com a pele branca fazia eles parecerem mais escuros ainda.

Uma característica comum de Auróptis que tinham os cabelos escuros era que palidez que, em contraste com a cor do cabelo e olho, dava esse aspecto mais sombrio, assim como Sabrina.

Luan sabia que tinha algum problema. Por isso era assim, fechado, com dificuldade de pôr os sentimentos para fora. Mas seu pai não era parecido com ele em comportamento por isso. Seu pai tinha outro problema, que era ajudar seu filho e não saber mais o que fazer.

Um problema que juntos não conseguiam resolver.

O maior problema em casa era a mãe...

— E as aulas? — Perguntou ela, julgando-o com o olhar. — Algum avanço?

Direto ao ponto.

A resposta foi o silêncio.

A mãe amarrou os cabelos e ajeitou o vestido de Incineradora, pois assim como o pai de Luan, tomavam o café prontos e iam em seguida para as suas funções.

O pai e a mãe de Luan trabalhavam na Ala Mestra. Ambos eram soldados magos trabalhando em nome da Torre de Pedra e da cidade. Quando era pequeno, o maior medo de Luan era perder os pais em guerras, mas nunca houve uma. Hoje o medo era outro.

— Luan, você precisa fazer algo — disse a mãe, agora claramente nervosa. — Não servirá de nada você ficar estudando na Torre de Pedra sem estar se dedicando a uma Ordem. Se no fim de tudo você não puder entrar em nenhuma ordem, terá perdido muito tempo de sua vida.

A saga dos filhos de Ethlon I - Porto das PedrasOnde as histórias ganham vida. Descobre agora