Acordei em uma cama desconhecida e com braços ao meu redor, braços que reconheceria em qualquer lugar.Davi.

Ainda não acredito que eu vim parar aqui pedir amparo, mas com tudo o que passei essa semana, não havia outra pessoa a quem poderia me tirar do oceano a qual eu estava afogando.

Não está sendo fácil acordar pela manha e saber que nunca mais a verei, mas tenho que seguir em frente, é o que ela iria querer pra mim.

Tiro o braço de Davi devagar e me levanto com cuidado para que não o acordar, arrumo a roupa que estou vestida para que não mostre nada, me dirijo ao banheiro pisando com cuidado no chão para não fazer barulho. Me olho no espelho e prendo meu cabelo em um coque meio bagunçado.

Decido fazer um café, ao passar em frente ao quarto em que dormi com Davi, o ouço.

- Já de pé?

- Nossa, que susto! - Coloco a mão no peito, me recomponho. - Eu sempre acordo cedo.

Ele senta na cama e passa a não pelo cabelo.

- E como você está? - Pergunta.

- Eu..eu to bem. - Tento convencer a mim mesma. Ele afirma com a cabeça anuindo minha resposta. - Eu vou fazer um café se não se importa.

- Claro, fique a vontade.

Saio rapidamente do seu campo de visão para que ele não perceba minha dor quando ele perguntou se eu estava bem.

Faço o café e tento me distrair sem que minha mente vague para tudo o que me aconteceu ontem. Ainda não acredito que ela se foi, agora somos só eu e meu pai, ela não queria que eu vivesse em luto. Amo minha mãe, e ate agora só alcancei parte de meus objetivos, pretendo alcançar muitos outros por ela.

- O cheiro está bom!

- Experimenta. Toma um gole antes de ir pra delegacia. - Coloco um pouco de café na xicara e o entrego, ele bebe e faz careta, tento não rir.

- Tá forte, ne?! - Afasta a xicara do rosto tentando disfarçar a careta. - Não vou pra delegacia hoje, hoje é minha folga. - Balanço a cebeça em concordância.

- Desculpa, eu sou acostumada com café forte. Se quiser eu faço outro mais fraco pra você.

- Não precisa, tá forte mas está bom! - Ele me encara mas logo afasta o olhar.

- Eu..quero te agradecer por..ter me recebido ontem, eu realmente estava muito mal, meu pai estava cuidando da papelada no hospital e me mandou ir pra casa mas eu não queria ficar em lá sozinha.

- Não precisa agradecer, você sabe que é sempre bem vinda. Pode ficar se quiser.

- Obrigada, mas não quero incomodar.

- Você nunca incomoda. - Ele me encara, olhando profundamente nos meus olhos. - Helena.. Eu sei que não é hora pra falar sobre isso, mas eu queria te dizer, que eu não tenho nada com a Dani, eu realmente estava noivo mas nunca foi ela que eu quis...acabou! - Eu o encaro anuindo tudo o que ele me disse, não foi fácil quando o vi com ela, e agora, aqui o olhando, tão vulnerável a mim, sinto que preciso de um tempo pra mim mesma.

- Eu acredito em você, mas eu acho que tenho que dar um tempo a mim mesma, sinto que esse momento é agora. - Ele assente com a cabeça. Se dirige ao armário e pega um pote de bolachas.

- Tudo bem, eu não quero te pressionar. Agora, mudando de assunto, eu não te parabenizei por ter sido aprovada no concurso. Como se sente?

- Eu to feliz, eu nem mesmo sabia que tinha sido aprovada, soube na hora da surpresa.

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