CAPÍTULO 9

5 1 0

Assembleia

          Na décima oitava hora do ciclo, as veteranas se arrumam e seguem para o campo de treinamento das arqueiras. Chegou o momento em que Boadicéia trará de volta as cinco filhas da Casa de Yby.

          No primeiro ciclo da terceira noite do ano, Yby está, novamente, no centro do círculo de cristais, na clareira, mas agora ela espera por suas irmãs.

          Laura é a primeira a aparecer. Ela surge de dentro das árvores e vem, ao longe, caminhando de forma imponente até chegar à Yby, que a recebe com um pequeno medalhão, que tem gravado o símbolo de sua Casa. Somente as iniciadas podem usá-lo.

          Yby e Laura continuam no centro do círculo de cristais enquanto as outras guerreiras vão chegando. A segunda é Miko, depois Matsu, então Petra e, por último, Kany.

          Após entregar o medalhão às cinco guerreiras, Yby sai do centro do círculo. Boadicéia se aproxima e se posiciona no meio do pequeno círculo formado por suas cinco discípulas. Os treze cristais brilham forte e quando a luz se torna suave, novamente, Boadicéia olha para a líder da Casa.

          — Receba de volta suas irmãs. Agora elas são, assim como você, guardiãs do conhecimento de todas as Casas. Trate-as com o respeito e a dignidade que merecem e esta Casa terá, para sempre, a lealdade delas. — Boadicéia diz.

          — Que assim seja por todos os ciclos! — Yby responde.

          — Que assim seja por    todos os ciclos. — Todas as veteranas presentes dizem ao mesmo tempo.

          Boadicéia se despede de Dandara e Yby, então segue para a mata, mas, dessa vez, vai em direção à clareira onde ficam as naves da Casa. Lá está sua pequena nave, que a leva para o porto de Vênus.

          Petra, e as outras quatro iniciadas, são recebidas com festa na Casa.

          No ciclo seguinte, Dandara vai até a Primeira Cidade, o centro de Vênus. Ela leva Artemísia.

          Após deixar o veículo aéreo em uma garagem, Dandara segue pelas ruas da cidade. Artemísia tem péssimas lembranças do lugar.

          Enquanto caminham, uma pequena ladra tenta roubar o bracelete da jovem discípula, mas sem sucesso. A filha do Clã é mais rápida e, segurando a ladrazinha pelos punhos, Artemísia olha nos olhos dela, como se fosse começar um sermão.

          — Ei... deixe a menina! — Dandara diz, enquanto olha para uma marca no punho dela. Artemísia ignora a marca e presta atenção ao bracelete que a menina usa, que é igual ao que ela foi obrigada a usar enquanto esteve nas ruas. Artemísia solta a menina, que sai correndo e desaparece em meio à multidão.

          — Viu aquele símbolo? É a marca da Casa de Heitor. Ele é meio... excêntrico, ninguém quer confusão com aquela Casa. Venha!

          Artemísia tem uma sensação ruim, fica pensativa por alguns segundos, então segue Dandara.

          O episódio, envolvendo a ladrazinha, não passou despercebido por um dos generais de Heitor, responsável por vigiar as novatas na fase de sobrevivência nas ruas. Ele reconheceu Artemísia, tirou uma foto dela com Dandara e enviou ao líder de sua Casa. Heitor, que está no dojo treinando alguns guerreiros, recebe a mensagem com indignação.

          — Então... a menina prodígio da Casa de Yby, a famosa Artemísia, é, na verdade, uma desertora da MINHA casa! — Heitor diz, com raiva.

ArtemísiaLeia esta história GRATUITAMENTE!