CAPÍTULO IX

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Ruan se lembrava daquele dia como se tivesse sido ontem. Era noite, quase sete e meia, o céu estava estrelado e vários garotos e garotas da rua estavam brincando de esconde-esconde. Ruan ainda era muito jovem, no início da adolescência, assim como Felipe. Os dois estavam na brincadeira, mas em determinado momento, acabaram se afastando dos outros...

Atrás do prédio de Ruan, havia uma rua com um pequeno beco escuro, logo atrás de uma lojinha de conveniências. Ele e Felipe haviam corrido para lá, na esperança de encontrar o melhor esconderijo possível.

"Acho que fomos longe demais" disse Felipe na ocasião, logo atrás de Ruan "Não vão procurar a gente aqui".

"Exatamente" Ruan respondera, animado e cansado de tanto correr "Vamos ficar aqui um tempo e eles vão ficar se perguntando onde nós estamos. É perfeito!".

Os dois garotos chegaram ao fundo do beco, um local sem saída completamente escuro exceto pela luz das estrelas e da lua. Eles ficaram sem falar nada por alguns segundos, apenas ouvindo o som de suas próprias respirações ofegantes. O beco era um pouco estreito, e eles estavam um de frente pro outro, encostados em paredes opostas.

"Vamos?" perguntou Felipe após minutos esperando ali.

"Ainda não. Só mais um pouco".

"Já está ficando tarde, eu preciso voltar pra casa...".

"Calma, ainda não deu nem oito horas".

Eles ficaram calados por mais algum tempo, e sem perceberem, o ambiente foi ficando cada vez mais escuro.

"Acho que já está bom" Ruan falou por fim "Vamos voltar e aparecer de surpresa. Não vamos dizer para eles aonde a gente se escondeu".

"Quer saber? Eu até que estou curtindo ficar aqui. É o melhor esconderijo de todos, ninguém pode ver a gente. Esse lugar é bom não só para o esconde-esconde, mas para qualquer tipo de coisa".

"Como assim?".

"Sei lá, se alguém quiser fazer algo em segredo...".

"O quê por exemplo?"

"Ah, não sei. Qualquer coisa que você não queira que os outros saibam".

"Como dar uns pega? Hahaha".

"Sim, isso...".

"É verdade. Aqui é perfeito para esse tipo de coisa. Ainda mais nesse horário, com tudo escuro. Se pelo menos a gente tivesse alguém pra fazer isso né?".

"Aham".

Mais alguns segundos em silêncio e então:

"Agora me deu vontade de fazer alguma coisa aqui" Ruan falou "E se a gente, sei lá... Se beijasse?".

"O quê??".

"Foi o que me veio à cabeça. Se não quiser tudo bem. Foi só uma ideia, já que ninguém vai nos ver. Claro que isso fica só entre nós".

"Não podia ter pensado em outra coisa?".

"O quê?".

"Não sei... Mas beijo cara...".

"Se não tiver a fim, vamos cair fora daqui logo. Já está muito escuro".

"Tudo bem, vamos nos beijar. Mas isso morre aqui entendeu? É só pelo momento".

"Claro".

Eles se aproximaram um do outro e seus lábios se tocaram no escuro. Foi um beijo rápido de língua, meio desengonçado. Quando terminaram, saíram rapidamente daquele beco e voltando para a rua de Ruan, descobriram que a brincadeira já havia acabado faz tempo.

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