18 escuridão

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Eu e valentina estávamos exaustas e doloridas após a longa caminhada que fizemos ao fugir do asilo, além disso,  o pé machucado de valentina nos fez fazer ainda mais esforço.  Ao cochilarmos na pedra perdemos a noção do tempo e quando abri os olhos a caverna já estava escura, iluminada apenas pela luz da lua cheia , que brilhava majestosa no céu.  Levantei devagar e tentei me acostumar com a escuridão,  caminhei lentamente na direção em que tínhamos deixado nossos vestidos secando, quando derrepente esbarrei em alguém. Já estava tão acostumada a sair do meu quarto escondida durante a noite para planejar minha fuga com valentina e ter que controlar nosso barulho para não acordar ninguém,  que mesmo diante do susto eu não fiz barulho, dei apenas um baixo gemido que foi automático.  Levantei meus olhos e reconheci mesmo apenas sob a luz do luar aquele olhar gelado, era o capitão Derek,   derrepente vi um brilho diferente em seus olhos, eles me encaravam dessa vez com um brilho quente, tão quente que me fez sentir que também queimava sob o seu olhar.

-milorde,  nos garantiu que ninguém entraria aqui- falei tão baixo que pensei que ele poderia não ter ouvido.

-perdão milady,  chamei vocês várias vezes da entrada da gruta, a caça está pronta e imaginei que estariam famintas. Como ninguém respondeu me preocupei e entrei para assegurar que estava tudo bem.

- devíamos estar muito cansadas,  por isso não o ouvimos. Chamarei lady Sinclair e nos juntaremos aos senhores.

O capitão benson me olhou por mais alguns instantes e seu olhar era tão intenso que minha garganta estava seca  como se houvesse uma corrente eletrica passando entre nós. Sua presença me deixou tão desconcertada que eu havia esquecido que estava sem o meu vestido, apenas com a roupa de baixo. Senti meu rosto queimar e tive certeza que corei violentamente,  desviei meu olhar do seu e o capitão deu um passo para trás.

-As aguardaremos então.-despediu-se com a voz rouca.

Corri rapidamente até o meu vestido que já estava seco e o coloquei rapidamente,  levei o de valentina até ela e a acordei.

-acorde, minha querida,  já  é noite, o capitão e seus homens prepararam comida para nós duas!

-eu iria chama-la de megera por me acordar, mas levando em conta o motivo devo relevar.

-levante-se,  venha, estou faminta, e há muito tempo não comemos comida de verdade!

Valentina me ajuda a fechar o vestido e eu faço o mesmo. com o nosso cabelo curto não há muito o que fazer. Saimos da caverna e no acampamento dos homens tinham alguns cobertores no chão,  uma fogueira se encontrava acesa e o cheiro de assado estava no ar. Apesar do cansaço todos pareciam alegres e receptivos. Conversamos ao redor da fogueira e comemos o assado com algumas ervas. Vez ou outra meu olhar me taia e viajava até o capitão benson, em um dado momento ele também me olhou e se aproximou de onde eu estava, e novamente as borboletas voavam dentro de mim.

-perdoe-me por ter invadido os seus ...aposentos?

Senti meu rosto corar novamente ao lembrar da situação em que me encontrava.

-perdoe-me também milorde, peço que não pense mal de mim por me encontrar tão desapropriada.  Adormecemos e não  vimos o tempo passar, estou muito envergonhada.

-milady... deveria sentir tudo pela situação que passamos, mas jamais vergonha.- falou com a voz mais rouca que o normal e eu fiquei sem entender ao certo o que ele quis dizer, preferi mudar de assunto.

-com que pretexto o rei o mandou a minha procura?  Já sabe o que houve com o meu esposo?

Derrepente o seu olhar voltou a gelar e eu pensei se teria dito algo que não deveria.

-sinto não poder informá-la milady,  as motivações reais não são do meu interesse. Minha missão era encontra-la e leva-la viva e em segurança,  não posso falar sobre os assuntos do rei com qualquer pessoa que não seja o próprio rei.

-entendo.- eu realmente entendia, Derek benson, parecia um homem leal, e se me levar ao rei era sua missão ele poderia acreditar que eu fosse uma fugitiva do reino, ou uma prisioneira, mas logo as coisas iriam se organizar como eram, assim eu esperava.- lorde benson, acho que eu e valentina já devemos nos retirar, está tarde e precisamos de descanço antes de prosseguir.

Valentina conversava animadamente com os outros homens, por um momento eu tive pena da minha nova amiga, que durante muito mais tempo que eu tinha perdido parte da sua juventude na casa dos horrores.
Lorde Harvey  se antecipou até a nossa caverna a iluminou com uma pequena fogueira, que além de nos aquecer,  também afastaria os insetos da noite, em seguida nos despedimos de todos e fomos dormir.

a protegida do reiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora