faminta

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É, você. Me deixou ansiando por sua atenção. Pelo direcionamento de mais um olhar curto, que faz acordar a garotinha adolescente dentro de mim (eu escreveria seu nome no meu caderno, se eu tivesse o hábito de manter um). Eu cobiço por ouvir suas palavras tão bem escolhidas, pelo menos para alguém tão impulsivo, e sua voz rouca e seus vícios de linguagem e sotaque indecifrável. De onde você é? De onde veio? Fala mais. Eu quero saber tudo. De seus pais, irmãos, amigos. De suas donas, paixões, amantes. Eu aspiro cada detalhe da sua mera existência até hoje, eu quero ouvir a sua voz de novo. Então fala mais! Me conta. Me mostra. Me guia por tudo o que você é.

Me leva.

Não vá.

Porque eu preciso tanto daquele formigamento sobrenatural na minha espinha. Eu desejo tão profundamente a sensação de estar em perigo, de estar me metendo em sérios problemas, que a sua mera presença me causa.

Absolutamente.

Eu quero te ver! Quero mesmo. Absolutamente. Estou cheia de saudade da sua voz, das suas graças e do cheiro do teu cabelo. Quero te beijar de novo, para ter certeza de que foi mesmo tudo aquilo, que eu não inventei.

Não... eu não poderia te inventar. Eu só posso passar o resto dos meus dias repassando mentalmente seus detalhes tão únicos, e escrevê-los no caderno que eu não tenho o hábito de manter.


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