4 de Agosto - Preparado para o pior

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"4 de Agosto de 2017

Faz tanto tempo que não escrevo aqui que quase perdi a noção dos dias. Nessa última semana, estive emocionalmente exaurido, instável. Toda a tensão acumulada desde o começo do apocalipse afinal encontrou uma rachadura pela qual me quebrar. Estou fraco, debilitado pela fome e sede. Sinto uma placa de ferro apertando atrás dos olhos, enviando ondas de dor através do cérebro. Não sei quanto tempo vou aguentar.

A comida terminou há algum tempo, inclusive a que recuperei da casa da frente, que havia dado a Joana. Nessa ocasião, aproveitei para pegar também seu revólver. Estava jogada na sala, ao lado do corpo de seu pai. No tambor havia somente uma bala. Mas encontrei mais nos bolsos dele... Não é como se fizesse diferença.

Bem, agora, aqui estou, estendido em minha cama, cada vez mais fraco, sem saber se estou acordado ou sonhando, sem uma gota de bebida para aplacar o tênue fio de minha consciência dilacerada. Sou capaz de contemplar apenas duas opções para minha situação: permanecer deitado até definhar e morrer, ou sair e explorar as outras casas atrás de comida e água.

Minha melhor chance é a casa de trás, a do velho rabugento. Sei que ele mantinha uma despensa abarrotada pois não tinha condições de sair de casa frequentemente. Resta a questão se ele continua vivo ou não. Como já expliquei, eu o vi pouco antes de me enclausurar aqui, mas isso foi há semanas. Não tenho ideia do que pode ter lhe acontecido. De qualquer forma, vale uma visita. Qualquer coisa que eu encontrar será melhor do que o nada que eu tenho no momento.

Assim que eu retornar, se eu retornar, escreverei o que encontrei."

Diário dos Mortos-VivosWhere stories live. Discover now