Capítulo 1 - A Convocação

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Naquela manhã despertei muito mais cedo do que o habitual. Na verdade, praticamente não dormi, pois estive pensando sobre a minha vida, ouvindo os cães latindo ao longe, e também, escutando um barulho distante de alguém que batia em algo, o que não permitia que o sono chegasse de jeito nenhum.

As poucas vezes que fechei os olhos, percebi a presença de alguns seres perto da minha cama. Um deles, o meu Mestre Espiritual, um ser de estatura alta, semblante sério, que apesar de fisicamente jovem, demonstrava ter uma maturidade muito grande. Ele permaneceu em silêncio durante toda noite e somente o percebia nos momentos em que eu transitava entre o sonho e a realidade.

Depois de quase toda a noite em claro, o sono finalmente apareceu quando a luz do sol começava a surgir. Mas, com tanta coisa para fazer, eu não poderia ficar na cama. Então, pulei dela sentindo uma mescla de ansiedade e sono.

- Logo hoje que tenho a entrevista mais importante da minha vida, tinha que ter insônia?

Distraído com meus pensamentos, levantei-me rápido demais. Com a respiração forte e algo de tontura, fui para o banheiro tateando as paredes.

Depois de um banho quente, sentindo frio, vesti minhas roupas e sai para a rua.

O dia estava clareando e apesar do friozinho que fazia, o céu estava metade com estrelas e a outra metade, com os primeiros raios de sol, prometia ser um dia maravilhoso.

Caminhei pelas ruas, admirando as montanhas, as árvores com seus frutos, a fragrância deliciosa das flores dos campos que rodeavam todo o povoado, o rio que corria devagar até sumir ao longe, o cheiro de pão feito em forno a lenha que vinha das terras dos irmãos Ursh, dois irmãos muito unidos que viviam juntos graças à uma grande afinidade que sentiam um pelo outro.

Um pouco mais à frente, passei pela casa de meu amigo Yrvi, que eu encontrei sentado em posição de meditação, em cima de seu telhado. O que eu podia observar dali, da estrada onde eu me encontrava, era uma cena maravilhosa:Um som baixo e tranqüilizador, acompanhado de uma luz, com tons entre o violeta e o rosa, que vinha do céu e que descia até chegar ao alto da cabeça do Yrvi. No centro desta luz eu podia ver três aspectos dele: No primeiro, eu o via bem nítido sentado no telhado, com um brilho que, normalmente, não se pode observar a olho nu na maioria das pessoas. Logo acima desta imagem, eu via um segundo aspecto dele, em tom dourado, com uma luminosidade mais intensa do que a primeira e, logo mais acima, quase transparente e ainda mais brilhante, uma terceira imagem dele, sorrindo. Foi então que as três imagens olharam para mim e disseram, com um sorriso amável e inspirador:

- Bom dia.

Eu, com um sorriso um pouco sem jeito por estar ali, por longos momentos, parado, as observando, acenei e balançando a cabeça afirmativamente, segui meu caminho.

Aquela visão me deixou fascinado, pois apesar de saber que todos nós possuíamos aquela Trindade, o ser visível, o mestre interior e o ser cósmico, não era comum e nem habitual que as pessoas as tivessem visíveis, como pude observar naquele momento de meditação intensa e profunda do Yrvi.

Ali no Reino Maior, que era como se chamava o plano em que estávamos, tínhamos um nível de evolução bastante superior a muitos outros, mas ainda assim, não era comum aquele tipo de manifestação da Trindade acontecer.

Percebi com alegria que aquela manhã estava se iniciando de uma forma muito especial.

Tive a sensação de que estava passando por algo como um processo de despedida, pois aquela poderia ser a última, ou uma das últimas vezes que faria aquele trajeto. Não me sentia triste, pois sabia que aquele lugar lindo e quase perfeito, era apenas um entre as muitas passagens na vida de qualquer ser. Era somente uma preparação para novos caminhos que iriam surgir e que, muitas coisas em minha história de vida estavam ainda por acontecer.

Os 11 Castelos e os Cavaleiros do Reino MaiorLeia esta história GRATUITAMENTE!