PRÓLOGO

18 1 0


PRÓLOGO

Te encontrei perdido pelos seus próprios labirintos, preso, perdido nos canais daquela cidade. Peguei sua mão e com um beijo, te conduzi até dentro de mim.

Havia apenas uma coisa na vida de Amber que fazia sentido naquele momento.

Veneza pela noite.

Aquela cidade era o sonho dos casais, um vulcão de inspiração para os artistas e uma pintura colorida para solitários.

Com os olhos fechados, ela caminhou pelo quarto do apartamento gótico que ficava acima do Grande Canal, afastando as venezianas árabes e tomando uma lufada do ar puro e com aroma salgado. Mesmo longe da água, Veneza fazia questão de levar até ela a umidade. Era algo de vinha no pacote de se estar ali.

Ela sentiu a brisa italiana levar seu vestido de seda francesa. Mais uma festa de gala, mas uma decepção. Se apoiou na varanda e suspirou, observando as luzes alaranjadas dos bares abaixo e as lanchas estacionadas no porto, ou indo e vindo, deslizando pela água e deixando para trás um tapete de ondas.

Aquele corredor de prédios antigos que se erguiam sobre o mar, as vozes que sussurravam lá embaixo.

Amber conseguia sentir a distância daquela Veneza movimentada lá embaixo e seu apartamento de luxo carregado de tensão por causa de um documento maldito.

Seu marido havia pedido o divórcio. E não era só isso. Estava tentando extorquir metade daquilo que Amber havia lutado com suor e sangue para conseguir.

Ela se negou olhar para aquela linha pontilhada novamente. Só faltava a assinatura e em breve estaria mais uma vez só.

Ela ergueu a cabeça para os céus e suspirou profundamente, sentindo o ar inflar seus pulmões e dar coragem pelo menos pela noite. Olhou para baixo novamente, a movimentação aos bares e restaurantes a lançava um convite irrecusável.

Amber queria esquecer por uma noite, só uma. Queria fingir não estar naquela cidade por causa de negócios, queria esquecer que seu casamento havia acabado, queria esquecer que era ela mesma.

Respirou fundo mais uma vez e saiu da varanda, trespassando a sala elegante e descendo as escadas para encontrar seu assistente cochilando na cadeira da cozinha.

Ela olhou para ele. Os cabelos loiros bagunçados e as olheiras de ter passado doze horas em um voo de última hora. Passou por ele, em silêncio, e rezou para sua equipe de seguranças não lhe ver saindo dali.

Porque quando abriu aquela porta dos fundos, sentiu as pedras das passarelas estreitas aos pés, o ar frio em seu rosto e cabelo a revigorarem com a força de um soco.

Sem rumo, Amber caminhou pelas ruelas, a beira dos canais, seguindo por um lado mais distante para o Grande Canal, que ficava logo ali.

Ninguém que passava por ela estranhava o fato de Amber estar vestida com um vestido que se curvava ao vento de tão leve, ou por estar com saltos altíssimos. Ali era Veneza. A elegância era seu sobrenome.

Amber soltou os cabelos, sentindo os cachos das pontas agradecerem. Seus cabelos castanhos claros tinham a cor de um caramelo. Seus olhos dourados brilhavam com a intensidade das luzes difusas.

- Ei, bella! – Dois italianos gritaram de uma lancha que estava parada na plataforma. Amber se virou e os dois mandaram beijinhos. Ela sorriu, envergonhada, e seguiu em frente, escolhendo o restaurante mais vazio e brilhante do canal. Era próximo a uma ponte de acesso, daquelas curvadas e lindas. Casais namoravam sobre elas.

ME ENCONTRE EM VENEZARead this story for FREE!