-Amanhã a gente conversa. Tchau.

Ruan desligou o interfone e voltou para o sofá. Felipe tentou chamar mais uma vez, mas já que Ruan não atendeu, o garoto desistiu e foi embora frustrado.

No dia seguinte na escola, Ruan chegou cedo na sala. Lá ele encontrou seus amigos Pedro Grandão, Fernando, Saulo e Ariane. O grupo ficou conversando por alguns minutos antes da aula começar. Aos poucos a sala foi se enchendo de adolescentes e um dos últimos a chegar foi Felipe.

O rapaz chegou usando uma calça jeans azul, um tênis preto, a camisa do uniforme, boné para trás e a mochila nas costas. Ruan nem sequer olhou para ele quando passou.

-A gente achou que você ia faltar hoje – Saulo falou para Felipe.

-Eu dormi demais e quase perdi a hora – Respondeu Felipe, sentando-se atrás de Ruan e colocando a mochila em cima da mesa – Tudo bem com vocês?

-Tudo sim. Aliás, a Mari ainda não chegou. Vocês não vieram juntos?

-Não. Ela não vai vir hoje. Disse que ia sair com a avó dela, algo assim.

Durante todas as aulas daquele dia, Ruan e Felipe não trocaram palavras, mesmo que se sentassem um do lado do outro na classe. No intervalo, Ruan não quis ficar com os amigos, preferindo se sentar perto da quadra poliesportiva sozinho para refletir.

Ele se encostou num canto, cruzou as pernas e ficou pensando na vida. Suas emoções estavam totalmente bagunçadas e confusas, mas Ruan achou que isso era por causa da adolescência. Por mais que estivesse com muita raiva e ciúmes, ele também se sentia um pouco arrependido por ter dispensado Felipe no dia anterior. Talvez ele devesse ter deixado o melhor amigo subir para eles conversarem...

No meio do intervalo, Ariane encontrou o lugar onde Ruan tinha se sentado e foi lá falar com ele. Ela estava sozinha, usando a camisa azul e branco do uniforme do Liceu América, uma calça jeans e um tênis all star. Ariane sentou-se bem na frente de Ruan e perguntou:

-Por que você está aqui sozinho hoje?

-Por que eu quis. Não queria falar com ninguém.

-Eu e os outros estávamos comentando que você anda muito estranho ultimamente. O que aconteceu?

-Não é nada.

-Não precisa mentir, nós somos seus amigos. Por que você não fala o que está acontecendo pra gente ajudar?

-Vocês não podem me ajudar. E eu já disse que não é nada.

-Se não fosse nada você não estaria aqui sozinho. Tem alguma coisa a ver com o Felipe e a Mariana?

-Por que você acha isso? – Perguntou Ruan, meio desconcertado.

-Por que dá pra ver que você não gosta dela... E como ela está ficando com o Felipe, que é seu melhor amigo...

-Não tem nada a ver com a Mariana. Nem com o Felipe – Ruan se levantou bruscamente – Eu só quero ficar sozinho tá? Me deixa.

Ele saiu andando apressado, sem saber exatamente para onde ir. Acabou seguindo o caminho do banheiro masculino, onde se trancou dentro do box e se sentou no vaso de cabeça baixa. Agora sua raiva e frustração estavam maiores ainda. Ele estava se odiando com todas as forças possíveis.

Ruan só saiu de lá quando o sinal do fim do intervalo tocou e ele era obrigado a retornar para a classe. O adolescente caminhou até sua carteira de cabeça baixa, sem olhar para Felipe que estava sentado na mesa de trás. Nas três aulas que se seguiram naquela manhã, Ruan não quis falar com ninguém.

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