CAPÍTULO I

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Dois adolescentes estavam dormindo profundamente no mesmo quarto, embora um deles estivesse na cama e outro no chão. Aquela era uma segunda-feira do mês de Agosto, e as seis e meia em ponto, o celular de um dos adolescentes tocou uma música eletrônica bastante alta. O garoto que estava na cama se mexeu, agarrou o celular e desligou o alarme. Ele estava coberto dos pés à cabeça por um edredom lilás.

Apesar do sono, Ruan Dias se sentou na cama e encostou-se na cabeceira, bocejando. A sensação que tinha é que não dormira por muito tempo. Parecia que tinha sido há uma hora atrás que ele fora se deitar e lá estava ele acordado de novo. O adolescente estava só de cueca, e como acontecia quase todos os dias, Ruan apresentava um certo volume na região.

Se não fosse pelo amigo dormindo no chão, Ruan teria batia uma para se aliviar. Mas ao invés disso esperou o pau amolecer e então afastou o edredom para poder sair da cama naquela manhã. Ruan calçou chinelos pretos, aproximou-se do colchão perto da parede oposta, agachou-se e chacoalhou o braço do garoto que ali dormia.

-Acorda, já tá na hora.

-Hmmm... Já?

-É. São seis e meia, levanta aí.

Ruan estava tonto de sono quando deixou o quarto. Ele morava no quinto andar de um pequeno apartamento, localizado em um dos bairros mais cobiçados daquela cidade. O garoto atravessou o corredor e entrou no banheiro, encostando a porta ao passar. A primeira coisa que fez foi jogar um pouco de água no rosto, para despertá-lo completamente. Depois ele se aproximou do vazo, levantou a tampa, puxou o pau pra fora e começou a mijar. Ele estava tão sonolento que nem prestou atenção se o jato estava acertando ou não o lugar certo.

Depois de sair do banheiro, Ruan foi verificar se os pais estavam em casa. Como tinha imaginado, ambos haviam saído cedo para o trabalho, o que significava que ele estava sozinho no apartamento com seu amigo. Ao retornar ao quarto Ruan encontrou Felipe sentado no colchão, com uma profunda cara de sono.

Ruan Dias é um adolescente magro de dezessete anos, com um metro e setenta e seis de altura, uma pele branca e cabelos negros ondulados. Seus olhos também eram escuros, suas sobrancelhas negras bem espessas e seus dentes eram pequenos e imperfeitos. Há alguns minutos atrás Ruan descobrira, quando olhou-se no espelho do banheiro, que uma pequena espinha tinha aparecido abaixo do seu lábio. Era o único defeito na pele lisinha do seu rosto.

-O seu pai já foi? – Perguntou Felipe, se espreguiçando.

-Já. Nós estamos sozinhos. Você vai querer tomar banho antes de sair?

-Vou sim.

-Então vai lá primeiro. Eu demoro mais.

-Tá.

Felipe Barbosa se levantou do colchão estirado no chão. Estava usando uma camiseta branca e um short preto, peças de roupa que tinha trazido numa mochila preta há dois dias atrás quando chegou à casa de Ruan. O adolescente tinha a mesma idade que o amigo, mas era fisicamente diferente. Ele tinha músculos mais definidos, embora estivesse longe de ser considerado musculoso. Sua pele era igualmente pálida e seus cabelos também eram negros, porém muito mais curtos e lisos. Felipe tinha olhos castanhos, uma boca fina e sobrancelhas meia apagadas, mas seus dentes eram perfeitos e brancos. Ele só era um pouco mais alto que Ruan.

-Aonde eu deixei meus óculos? – Perguntou ele.

-Aqui – Ruan pegou um par de óculos pretos em cima de uma cômoda e entregou ao amigo moreno.

-Valeu.

Com os óculos, Felipe tinha outra cara. Ele usava óculos desde criança e não conseguia enxergar quase nada sem eles.

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