Capítulo 9 - O sorriso da lua.

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Raphael estacionou o carro em frente ao condomínio.
Eu olhei para ele e ele sorriu, iluminado pela lua.
— Quer... dar uma volta?
— Eu adoraria.
Andamos pelo parque e passamos pelas piscinas.
Raphael pegou minha mão.
— Vem comigo.
Ele me levou até a parte que não estava iluminada e deitou na grama.
Eu sorri.
Deitei do lado dele.
Observamos as estrelas.
Raphael apontou para as três marias.
— Nós estamos vendo o passado.
Virei meu rosto para vê-lo.
— É estranhamente genial saber que elas já se foram mas continuam brilhando — ele continuou.
— Tudo precisa de seu tempo para sumir por completo — eu disse.
E ele sorriu. O cabelo mexeu com o vento calmo e acolhedor.
— Quando eu era criança minha mãe me levou ao planetário, e eu me apaixonei.
Eu estava hipnotizada por ele.
— Minha amiga — foi tudo o que eu disse.
— O que?
— Minha melhor amiga, Flávia. Ela ama astronomia.
— Acho que eu preciso conhecer ela.
— Você já viu ela, é a menina ruiva que me visita sempre.
— Eu lembro dela. Preciso conversar com ela, gosto de conhecer as pessoas.
Eu assenti.
— Mas me conte sobre você, Annabel.
E eu sorri.
— Annabel Gato — falei e arqueei as sobrancelhas.
— Sério? Você tem o melhor sobrenome do mundo?
— O melhor sobrenome do mundo é "King", "Potter" ou "Disney".
E ele gargalhou. Mostrou suas covinhas para quem quisesse ver.
— Certo. Você tem o melhor sobrenome do Brasil.
— Certo.
Suspirei.
— Eu sempre amei livros, eles são... tudo pra mim.
Raphael prestava a atenção.
— Eu amo ler desde que me entendo por gente.
— Quando você começou a escrever? — ele perguntou.
— Sempre... eu sempre escrevi. Eu sempre amei histórias. Eu quero viver disso. É algo que me faz feliz.
Foi então que percebi.
— Como você sabe que eu escrevo? — perguntei contendo o sorriso.
— Bem... eu...
E ele corou.
E eu ri.
— Não me culpe por stalkear você, Annabel.
— Não culpo você — falei rindo.
Me sentia leve, não queria que a noite acabasse, não queria voltar para casa, queria ficar ali com Raphael, morar ali.
Ficamos em silêncio, observando a lua cheia.
Senti a mão de Raphael encostar na minha. Então ele a pegou, devagar, e entrelaçou os dedos nos meus.
Eu perdi o fôlego. Olhei para ele pelo canto do olho, ele olhava para o céu.
Então ficamos ali. Deitados de mão dadas na grama, olhando para as estrelas.

***

Raphael sentou na grama e passou a mão no cabelo.
Arqueei as sobrancelhas ao reparar em algo que eu não havia percebido.
Ele tinha tatuagens. Nos braços.
E aquilo o deixava ainda mais bonito.
"O que está acontecendo comigo?" Eu pensei.
— Apenas triângulos. Não, não tem um significado, eu apenas gosto muito de triângulos.
Soltei uma risada sincera.
Ele me encarou e tirou o moletom preto que estava vestindo.
Revelou assim diversas tatuagens diferentes.
Eu não sabia o que dizer.
— Você fica lindo com elas...
Não conseguia tirar os olhos dele.
Ele sorriu.
— Obrigado, Annabel...
Eu corei.
Ele ficou de pé e pegou minha mão para me levantar.
Pegou em minha cintura.
Passei meus braços em volta do pescoço dele.
Estávamos perto... muito perto...
Começamos a dançar, sem música, apenas ao som de nossas respirações frenéticas.
Raphael passou as mãos em minhas costas e eu arrepiei.
Olhei nos olhos dele. Ele me de devolveu o olhar. Nós estávamos pegando fogo.
Segurei minha respiração quando ele passou a mão em meu cabelo e se aproximou do meu rosto.
Fechei os olhos. O vento fez cócegas em minha pele.
Os lábios de Raphael tocaram os meus.
Eu não conseguia controlar minha mente.
Meu coração era dele.
Eu senti medo, êxtase, felicidade... eu senti amor.
Eu estava apaixonada. Completamente apaixonada por Raphael.

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