Capítulo III

85 6 1
                                    

Interlúdio I – Primavera da Evolução

          Estava se tornando protocolo ter um androide na equipe de apreensão de drogas. Tudo por que os anuladores não funcionavam contra drogados sob o efeito de Min-D. Os microchips implantados nos anuladores cancelavam somente as ondas psi de outros microchips, de forma que eram inúteis contra essa nova praga. Na primeira tentativa de invasão de um laboratório, 17 membros da tropa G-100 foram mortos após serem detectados por teleminds — usuários de Min-D. Mas o pior é que novas variações dela começavam a emergir no mercado. A última que chegara ao conhecimento das autoridades era a Min-T, cujo efeito proporcionava habilidades telecinéticas ao usuário. Essa, sem dúvida, se afigurava a mais aterrorizante para os chefões do Conselho de Táticas Anti-Tráfico, pois agora os traficantes seriam capazes de montar seus próprios exércitos psiônicos com seus drogados, dificultando ainda mais as apreensões. Mas, é claro, ao contrário dos generais e majores, cujos temores não passavam de números em estatísticas, os que estavam realmente ferrados eram os responsáveis pelos assaltos aos laboratórios e fábricas. E, dentre esses desafortunados, a tropa B-120 seria a primeira a experimentar a totalidade desse novo terror emergente do submundo.

          Eles eram a tropa de elite da classe Beta, destinados às piores missões imagináveis. A ponta de lança, por assim dizer. Dessa vez se dirigiam à área Delta. Geralmente nenhuma equipe se aventurava em tarefas de outras áreas, porém, aquela era uma exceção.

          Há dois dias, outra tropa Delta havia sido exterminada ao invadir uma fábrica de Min-D, disseminando a aflição na já apreensiva cadeia de comando do Conselho. Então, desejando acabar logo com esse assunto e evitar possíveis danos às suas carreiras políticas, eles resolveram chamar a tropa B-120, verdadeiros especialistas, para lidar com o problema.

          Dessa forma, lá estavam eles, 26 rostos de feições compenetradas fitando o nada enquanto o caminhão flutuava silenciosamente através da cidade.

          Eram 25 experientes militares e 1 androide sentados frente a frente em duas fileiras, espremidos na caçamba de uma unidade do exército camuflada de caminhão de lixo tóxico. O primeiro androide da tropa B-120 havia sido eliminado em combate na última apreensão, de modo que um novo fora enviado imediatamente.

          Harver, o capitão, estava sentado próximo à porta traseira, ao lado de Andie-2, como resolveram chamar seu novo companheiro. Apesar do sistema de resfriamento, o ar jazia abafado e cada vez mais malcheiroso devido à transpiração dos 25 homens.

          Se apenas pudéssemos usar transporte aéreo, lastimou o capitão Steve Harver, mas já sabemos que todos os locais de aterrissagem estão sendo monitorados pelos desgraçados... Merda.

          Ele fez um movimento instintivo para pegar um cigarro na bota, mas reconsiderou e apenas cruzou os braços, de cara fechada. Não seria prudente fumar num local tão abafado.

          Ao seu apoiar na caçamba às suas costas, Harver, com o canto dos olhos, reparou no androide ao lado, que o fitava descaradamente, desejoso de falar algo. A verdade é que ele já estava assim há um bom tempo, mas o capitão havia decidido ignorá-lo, só de maldade.

          – Vamos, Andie, desembuche logo. Daqui a pouco seus parafusos vão começar a saltar.

          Como se já estivesse preparando a pergunta há muito tempo, o androide se adiantou:

          — Como é quando usa sua habilidade, capitão Harver? — perguntou de súbito, com uma voz polida e os olhos escuros brilhantes. Seu rosto era ossudo e liso exatamente como Andie-1.

Min-DOnde as histórias ganham vida. Descobre agora