32. Lago da Montanha

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Por dois dias seguiram na direção que Anna havia anunciado e nada. 

Nem rinoceronte, nem água, nenhum sinal de que teriam alguma chance de sobreviver. De dia um calor violento obrigava Fabrício carregar Ivan e Reesee, à noite o frio continuava a torturar o pobre humano. Anna, com medo de Marcos e envergonhada pelo que havia feito, não falava nada, mas ainda zelava por seu noivo em silêncio.

Ao entardecer do terceiro dia, desde a queda da torre, Ivan avistou a ponta de uma montanha, finalmente ele sentiu o cheiro de água.

O deserto cercava quase toda a primeira montanha mas de dentro dela jorrava uma água pura e suave, que saía de dentro dela apenas para voltar para baixo da terra, para uma espécie de rio subterrâneo que parecia se direcionar à próxima montanha sem deixar rastros na superfície, ainda completamente cercada por areia. 

Apenas de contemplar aquela beleza miraculosa os cinco se sentiram revigorados, era tão magnânimo quanto impossível.

 Anna havia salvo outra vez a vida deles. Mas desta vez eles não se sentiam tão gratos, todos, inclusive Fabrício ainda estavam com medo.

Chegava a noite e o brilho de uma lua cheia cor de esmeraldas refletia graciosamente na água. Aquela noite Zeeppa estava melancólica ela sentou na beira da lagoa que se formava sob a queda d'água, pensando em seu querido Zephir e sua mascote Zana... como eles estavam desde que ela saíra de lá.

- O que foi Zeep? - perguntou sua nova amiga se sentando sobre os próprios joelhos ao lado dela.

- Nunca vi algo tão bonito... - Ela disse contemplando a imensa lua cheia, verde como uma esmeralda, que parecia satisfeita em contemplar seu reflexo naquele cintilante lago. - parece que esse lago é um pedaço do céu que caiu aqui... no meu mundo eu nem sei que cor é nossa lua.

- No meu mundo ela é roxa, as vezes ela fica vermelha como sangue... mas não é isso que está te incomodando... é o tal Zephir, não é? - Zeep olhou com estranheza, ela não lembrava de ter falado sobre Zephir com Quad,na verdade com ninguém, mas antes que ela pudesse perguntar a caçadora logo explicou - Você fala o nome dele várias vezes à noite...

- Será que quando eu voltar, ele ainda vai estar me esperando? - ela disse brincando com as miçangas dos dreads em seu cabelo (ele quem tinha feito os enfeites pra ela) - acho que na verdade eu fiz meu pedido pra ele... uma vez ele me disse que queria ter a chance de, pelo menos uma vez poder ver através da "zuima"... uma enorme nuvem de poeira que cobre todo o meu planeta, então quando vi aquele pedacinho de céu eu... - Ela não terminou a frase, algo a puxou pela perna de maneira rápida e inesperada para dentro da água, seja lá o que aquilo fosse a arrastava com tanta força que Quad precisou gritar por ajuda para a segurar, a jovem de pele cinza que não estava acostumada com água, e que quase se afogou algumas vezes antes de conseguirem a resgatar.

- O que foi aquilo? - perguntou o "centauro" perplexo. - parecia uma... uma sereia...

- Uma tauneays! - respondeu a caçadora. - essas coisas vivem aos montes no meu planeta, e são muito perigosas, não imaginava ver uma dessas aqui...  elas nunca caçam sozinhas...

Quad sequer terminou de dizer isso e um grupo com umas dez daquelas coisas apareceu. 

- Não é uma boa ideia esperar elas saírem da água, vamos sair daqui.

- Elas saem da água? - Fabrício ficou abismado - Como assim?

- Sua cadente tem razão! É muito irritante que você fica repetindo as coisas, mais ainda, ter que te explicar tudo duas ou três vezes! Vamos sair logo daqui! - A caçadora os apressou.

Eles pegaram tudo e mais que depressa saíram dali, a noite clara os permitiu ver uma caverna e eles preferiram se esconder lá pra evitar as tauneays, mas logo veio o vento.

- Fabrício... tem uma dessas chaves dentro da montanha, mas fica embaixo da água e a única entrada por onde dá pra passar alguém...

- Deixa eu adivinhar... é aquele lago?

- Ah outra coisa diz pra caçadora que o rinoceronte (... ou seja lá o que for) está perto da montanha bem em frente a esta em que vocês estão, e que tem outro grupo na cola dele, eles parecem realmente perigosos.

- Mas... e as tais coisas na água? e como eu vou fazer pra pegar essa chave? Além disso se eu entrar lá assim nunca mais saio de lá... 

- Isso eu não sei... mas aquela tal de Merach, ela não pode te ajudar? eu vi outros deles ajudando seus jogadores...

Assim, o pobre e confuso humano reuniu o grupo para decidirem o que fazer. Estava longe de qualquer um ali querer escutar qualquer coisa que falava pelo vento, mesmo que até aquele momento tivesse sido aquela mesma voz que havia curado Quad, os resgatado da cidade, e os orientado pelo deserto. Quando pensavam nela agora, lembravam dos perigos que tiveram de atravessar, e daquele grito que ficou entrecortado em meio à tempestade de areia, e que agora, o lago que o mesmo vento tinha indicado estava abarrotado por essas tauneays que quase mataram Zeeppa afogada. E passaram muito tempo decidindo se iriam ou não dar ouvidos, até que Quad se decidiu:

- Se meu troféu está a apenas uma montanha de distância, eu vou lá buscar! 

- Tem certeza? - Zeeppa perguntou?

- Quem vem comigo? 

- Tem a outra chave embaixo d'água... - protestou Fabrício - o que faremos sobre ela?

- Não sei! - Vou cuidar do meu troféu.

- Eu vou com você, Quad. - Ivan se manifestou, para o espanto de todos, até mesmo dele.

- Eu também... - Zeeppa titubeou - Não quero ver nenhuma dessas criaturas aí outra vez...

- Então eu vou ficar aqui... - disse Reesee, mesmo preferindo ir com os outros. -  quem sabe eu posso ajudar...

Assim que os outros se afastaram, Fabrício começou a gritar. Quando finalmente o ouviu chamar seu nome Merach sorri, tudo está saindo de acordo com seu plano!

- Onde vai Merach?

- Pelo regulamento espécies subdesenvolvidas, como a daquele pobre coitado, podem ser atendidas, por três vezes, veja, está bem aqui, contanto que EU não prejudique diretamente a ninguém, entregue a chave nas mãos dele, nem o leve até sua porta. - ela disse enquanto esfregava com gosto o texto na cara enjoada de Herôon. - Não quero fazer meu competidor esperar, sabe como é cada segundo conta... Com licença!

Apenas Fabrício e Reesee ainda estavam perto do lago quando ela chegou.

- Achei que tinha esquecido de mim, meu inútil preferido! Estou surpresa que ainda não esteja com sua chave!

- Quad vai cuidar disso...

- Você sabe de quem são as chaves? - Ela disse fingindo surpresa.

- Sei.

- Talvez você não seja tão burro assim... Mas eu não vim pra perder tempo  com conversas inúteis... O que quer?

- Cansei de ser o burro de carga... Tava pensando em dar um mergulho...

A Cadente sorriu.

- Então você também sabe onde a chave dela está!? 

- Sei!

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