Capítulo 29 - Marcos

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Depois do "susto", fomos jantar em um restaurante de frutos do mar, o preferido dela! Fiz questão de perguntar aos seus pais qual a sua preferência, queria que aquele dia fosse realmente perfeito. Por pouco não conseguimos uma mesa, o lugar era bem disputado, principalmente em dias de semana. Sentei ao seu lado, me sentindo privilegiado, e fingi procurar um prato no cardápio enquanto a observava.

Me perguntei a qual velocidade meu coração batia por ela. Era algo que não poderia ser mensurado, muito menos naquele momento. Ela olhou para mim esperando que eu confirmasse o tema da conversa. Acenei apenas para satisfazê-la, mas minha mente já estava longe. Ela sorriu para mim, e seus olhos sorriram junto, brilhando.

---- O que foi? ---- Ela perguntou, ainda sorrindo.

---- Ah, nada..estava só pensando aqui com os meus botões. ---- Respondi, pego no flagra.

---- Terra chama Marcos! ---- O irmão Adalberto falou, gracejando.

---- Ora essa, meu sogro, logo hoje que estou nas nuvens?

Hellen empurrou de leve o meu ombro.

---- Você com certeza não existe!

---- Pois essa é uma das poucas certezas que ainda tenho em minha vida. Te amo, logo existo. Acho que não conseguiria viver um momento sem você, não depois de te ter conhecido.

---- Pronto, pronto, já sabemos que vocês são muito apaixonados, mas amor não enche estômago, e o garçom já deu umas duas olhadas para a nossa mesa, esperando o pedido. ---- A irmã Cláudia aproveitou o ensejo.

Fizemos nossos pedidos. Felizmente todos estavam com muita vontade de comer camarão, por isso pedimos uma porção que servia seis pessoas. Meu sogro ainda brincou sobre quem comeria por dois. Preferi ficar quieto e deixar as coisas fluírem, certamente esse alguém seria eu. Camarão sempre foi um dos meus pratos prediletos!

O restaurante pululava de gente. As mesas pareciam não dar conta de tantos clientes. Quando uma esvaziava, um funcionário corria para retirar os pratos e fazer uma limpeza rápida para os próximos ocupantes.

Depois do que pareceram horas esperando pelo nosso jantar, finalmente o garçom nos serviu de forma cordial, falando em voz alta o prato que tinha em mãos e as opções de vinhos que poderiam acompanhar aquela iguaria. Não preciso dizer que recusamos as bebidas, preferimos ficar na água com gás e limão, para abrir o apetite e não se sobrepor ao sabor da comida.

Fizemos uma oração rápida, daquelas que fazemos quando a fome urge em nossos estômagos, e nos servimos. O mais interessante foi ver a tentativa de Hellen para comer o crustáceo com garfo e faca. Não digo que seja impossível, mas é uma habilidade para poucos, e precisa ser praticada, o que não era o caso. Fiquei observando, divertido, enquanto ela lutava com o camarão, que escorregava do garfo e saía patinando no prato.

---- Opa, acho que não levo muito jeito pra isso...---- Ela sorriu um pouco envergonhada pelas várias tentativas.

---- Meu amor, você já pensou que o camarão gostaria de ser comido com as mãos? ---- Sorri. ---- Bem, se não me engano esse foi seu último desejo antes de ser capturado e levado à morte pelas mãos dos pescadores.

---- Não sei, é porque parece tudo tão chique aqui, queria estar à altura.

---- Ignore o que vão pensar, minha querida, apenas viva intensamente. E com "viver intensamente" quero dizer que camarão pode ser apreciado com as mãos, basta querer. Esse é um ambiente bastante familiar e popular, finja costume e aja como se fosse o ato mais normal do mundo, coma com as mãos! ---- Beijei seu rosto. Ela relaxou e acatou meu conselho, deixando os talheres de lado.

O silêncio reinou por alguns momentos. Ninguém queria desviar a atenção do seu próprio prato. Ainda assim, a minha estava dividida entre a iguaria marinha e Hellen, que comia satisfeita, separando a casca da carne do camarão com maestria. Isso me levou a pensar que ela tentaria até ao fim comer com os talheres, e eu não falasse nada.

Findado o jantar, pagamos a conta e nos levantamos para fazer a digestão em um pequeno passeio pela cidade. Não preciso dizer que nos dividimos em dois grupos: meus sogros e minha mãe; eu e ela. Era como se tivéssemos esse costume há anos! Parecia natural andarmos de mãos dadas pelas ruas enquanto as pessoas nos observavam.

Vez ou outra parávamos por um momento para observar alguma loja, mas no geral o tempo era para que aproveitássemos uns aos outros.

Era inevitável lembrar do meu pai nesse dias. Ele com certeza gostaria muito de compartilhar desse passeio, fazendo os seus comentários sempre muito divertidos. Era uma lembrança que pairava sobre nossas cabeças, recordando-nos de que não somos mais que pó da terra. Um dia estamos aqui, no outro dia podemos não existir mais.

Minha mãe parecia pensar o mesmo, porque olhou para nós por cima do ombro e sorriu daquele jeito compreensivo, seus olhos transmitindo a mesma mensagem que o meu coração me dizia. Ele não estava mais entre nós, mas Deus estava sustentando a nossa casa.

Senti uma felicidade crescente dentro de mim, um carinho e cuidado que já fazia parte da minha história.

Olhei para Hellen, vestindo o seu melhor sorriso, seus olhos brilhando também de contentamento. Abracei-a e sorri. Deus havia me dado uma noiva, um presente que demonstrava o cuidado dEle por nós, uma mulher segundo o Seu coração.

Liberdade - Uma história de amor e fé [Não Concluído]Leia esta história GRATUITAMENTE!