L1|| XL. Eureka!

1.4K 248 193

Dentro de um ônibus no caminho para casa, eu olho a chuva forte e passageira dominar e deixar São Paulo ainda mais caótica

Ops! Esta imagem não segue as nossas directrizes de conteúdo. Para continuares a publicar, por favor, remova-a ou carrega uma imagem diferente.

Dentro de um ônibus no caminho para casa, eu olho a chuva forte e passageira dominar e deixar São Paulo ainda mais caótica. Eu tento controlar o choro dentro do transporte público. Quis demorar o máximo possível para chegar em casa hoje e tentar evitar esbarrar em certos vizinhos. Então, nada como pegar um ônibus em Sampa em horário de pico se você quer demorar a chegar em qualquer lugar.

Saio da minha fossa momentâneamente quando meu celular começa a tremer no bolso da minha jaqueta jeans.

— Lena? — Seco a lágrima que escapa de meu olho. A ligação de Lena me surpreende. Ela não é de ligar, é mais do tipo que manda mensagens rápidas e efetivas. Tento me lembrar se esqueci de fazer alguma tarefa no trabalho. — Tudo bem?

— Comigo, sim. E você? Ainda chora?

Como assim "ainda" chora? Lena não estava no escritório hoje, não me viu chorar.

— Eu...

— Dimitri pediu pra te ligar. Está preocupado. E pelo que ele disse, eu também fiquei. — Sua voz é suscinta.

Lena e Bauer preocupados comigo?

— Ele achou que você gostaria de conversar com alguém. Uma mulher, mais necessáriamente. — Lena explica e eu começo a entender.

Nunca pensei que ela... ou ele... que nenhum dos dois se importassem comigo assim.

— Obrigada, Lena. Eu... acho que vou ficar bem. — Ou não, já que naquele exato momento eu começo a chorar ainda mais só pelo fato dela demonstrar esse cuidado comigo, e até mesmo por Bauer recrutar ajuda para me consolar porque eu estou triste.

Grosseiro, mas bonzinho.
Eu nunca vou entender Bauer.

— Verena, não sei quem esse cara é, mas certamente você não precisa dele. — Ela parece um robô, como se aquela voz automática do Google falasse comigo. Suas palavras parecem mais ordens de um general que um conforto. Ainda assim, eu estou feliz por ela ter ligado. — E honestamente, você não deveria ter beijado alguém compromissado. Não julgo essa uma atitude digna, mocinha.

Apesar de por algum motivo ter gostado de ouví-la me chamar de mocinha como se fosse uma mãe brava, sinto vergonha. Ser chamada a atenção assim... ás vezes não aceitamos ser corrigidos, pois não é fácil admitir as próprias cagadas. Mas ela está certa. Se eu aceito as palavras doces de parabenização ou consolo, tenho que aceitar as duras corretivas também.

Respiro fundo, admitindo que minha atitude fora canalha mesmo. Me arrependo de ter tentando passar Sarah para trás assim. Especialmente depois dela ter sido legal comigo. Cometi um baita erro e agora que tudo foi por água abaixo, percebo isso.

Aprendi minha lição.
Da pior forma possível.
Mas antes tarde do que nunca. Certo?

Após mais alguns conselhos que certamente eu gostaria de ter ouvido durante minha adolescência, Lena se despede com uma ordem final.

ADARISOnde as histórias ganham vida. Descobre agora