L1|| XXXIII. Veni, Vidi, Vici

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Sozinha, sentada num mal iluminado cubículo com paredes feitas de um material que nunca vi, me escoro contra uma delas

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Sozinha, sentada num mal iluminado cubículo com paredes feitas de um material que nunca vi, me escoro contra uma delas. Lança-espada e escudo no chão a meu lado, faço meu melhor para controlar minha respiração. Estou pronta para a batalha. 

Estou pronta para qualquer coisa.

 Acima de mim, passos vem e vão. Alguns pesados, alguns arrastados. Mal de estar no subsolo de uma arena quase cheia.

Ouço vozes ao longe e tento meu melhor para mantê-las distantes para me concentrar.

Antes que eu reclame da demora para iniciar essa droga, um estranho silêncio toma conta do ar, logo sendo substituído por uma voz. A mesma voz que ouço gemer e rosnar indecências em meus ouvidos. 

Confesso que essa eu tenho dificuldade em ignorar.

— Sejam bem vindos a minha casa. Bem vindos a Adaris. — Diz Garou, ecoando em todos os cantos da redoma. — É com prazer que os recebo para prestigiar a pequena demonstração de força e coragem de minhas guerreiras. As famosas Valkírias da Guarda Regencial de Adaris.

"Minhas guerreiras." Canalha. O povo bate palmas e eu reviro os olhos.

Ás vezes me pergunto o quanto de esforço Garou fez ou faz para apagar completamente a existência das Filhas de Guendri da história de Adaris. Me pergunto se fora ele mesmo quem nos derrotou, ele e esse exército de traídoras. Sem querer, também me pergunto se seus convidados sabem de nossa existência, as verdadeiras herdeiras de Guendri.

Mas calo todo esse questionário em minha mente. Essa não é a hora de filosofar.

— Raramente divido o prazer de assistir minhas amazonas. Mas desta vez convidei vocês -a dedo- para prestigiar esse singular evento comigo. Espero que o apreciem, assim como eu. — Mais uma onda de aplausos. — Sem mais delongas caros amigos, que comece o Torneio!

Aplausos ecoam de cima abaixo, um som que se assemelha a uma tempestade no mundo humano. De onde estou posso ver aonde a batalha ocorrerá. Creio que a minha "cela", por falta de um nome melhor, é uma entre dezenas de outras dispostas ao redor da arena. Por trás das grades metálicas que me separam do palco do torneio, observo a primeira dupla de Valkírias adentrarem assim que as grades de suas celas se abrem, chamando-as para o combate.

A temperatura sobe, mas minha pele é firme e fria. Estudo minhas oponentes, assistindo-as gladiar á minha frente.

A batalha não dura o quanto tem que durar. Uma das Valkírias acaba com a cara no chão de areia cristalina com a pesada botina metálica da outra sobre suas costas. A arena responde com palmas que param assim que a próxima guerreira já entra correndo quando a grade a sua frente se abre. 

A escolha de quem é a próxima entrar parece ser aleatória, o que só me põe mais tensão.

Não haverá avisos de quando minha hora chegar.

ADARISOnde as histórias ganham vida. Descobre agora