Trinta e sete - Alice

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Fadas?

Havia fadas madrinhas dentro daquelas bolinhas coloridas?

Enquanto as pessoas começavam a gritar e a se debater, eu fiquei parada, olhando as fadas se materializarem cada vez que alguém batia em uma esfera, tentando se livrar delas.

Ao contrário do resto das pessoas, que pareciam em completo pânico, eu precisei suprimir uma vontade quase incontrolável de rir.

Quer dizer, a situação toda seria extremamente cômica se as pessoas não estivessem genuinamente aterrorizadas e tudo não estivesse prestes a ficar pior com os guardas de Quentin marchando para dentro do castelo.

A minha vontade de rir simplesmente evaporou, principalmente quando eles desembainharam as espadas e começaram e atingir as fadas, que explodiam em fagulhas coloridas.

Comecei a dar alguns passos para trás, sem ter muita noção de onde estava indo, quando alguém me puxou pelo braço.

- Vamos.

Era a voz de Quentin.

Existia uma parte de mim muito consciente, que sabia que eu deveria me livrar dele e sair dali, principalmente porque o salão estava um caos. Outra parte, porém, estava em choque demais para fazer o que quer que fosse. Quando um grito agonizante cortou o ar e alguns guardas gritaram, quando não houve uma explosão de faíscas coloridas, mas uma espada manchada de sangue subiu no meio da multidão, eu soube que precisava sair dali.

- Jax? - gritei, mesmo sabendo que seria inútil. - Tobias!

Senti um puxão mais forte no meu braço e meus pés foram arrastados, quase tropeçando uns nos outros. Tentei me debater, puxar e me soltar de Quentin, mas ele continuou a me arrastar, a apertar meu braço com força, até que fui forçada a desistir.

- Quentin! - rosnei, ainda tentando soltar meu braço, mas acompanhando seus passos. Eu provavelmente ficaria com hematomas ali. - Quentin, as pessoas vão morrer no salão!

Ele não disse nada, simplesmente continuou me puxando, subindo escadas, sobrando corredores, até que chegamos ao quarto. Quentin abriu as portas duplas com violência, me jogou para dentro, entrou logo depois de mim e fechou as portas atrás de si.

- Você ouviu o que eu disse? As pessoas vão morrer lá embaixo, Quentin! Nós não podemos simplesmente nos esconder aqui em cima e...

Ele se virou, suor começando a escorrer pelo rosto, os cabelos loiros desgrenhados.

- Nós podemos e nós vamos, Alice. - disse. Estava quase esperando ver espuma sair da boca dele. - Os guardas vão cuidar de tudo, inclusive do Trent e daquele amigo dele. Aliás - ele chegou mais perto, eu dei um passo para trás. -, aposto que tem dedo dos dois no que acabou de acontecer. Se pessoas estão morrendo, é por conta deles.

Tentei pensar em alguma coisa para dizer, mas preferi ficar quieta. Quentin começou a andar de um lado para o outro pelo quarto, movendo os lábios como se estivesse falando consigo mesmo.

Eu não podia ficar ali. Meu coração estava sufocando dentro do peito e o ritmo maníaco de Quentin só estava piorando as coisas. Caminhei até o banheiro e fechei a porta, mesmo sabendo que ela não tinha trinco, mesmo sabendo que agora a janela estava travada por barras de ferro.

Eu me deixei cair no chão, apoiada nas paredes, pensando em Tobias, pensando em Jax.

Jax.


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N.A.: Pessoal, os capítulos estão um pouco menores porque tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, então vou atualizar com dois ou três de uma vez, ok? Mais uma vez obrigada pelo apoio! Vejo vocês no próximo ;)

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