28. Tempestade de Areia

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O tempo na arena parecia ter vida própria, as vezes corria rápido demais, mas em momentos como este parecia não passar, cercados na torre enfumaçada, parecia que não teriam escapatória.

- Fabrício erga a cabeça! - o vento que entrou enregelou outra vez o lugar, mas dessa vez Fabrício não se importou com a dor que sentiu. - se tem alguém com chance de salvar eles é você, e eu vou te ajudar! Levante!

Anna estava muito confiante mas tudo ainda dependia dele.

- Pegue tudo e prepare Zilá do outro lado da Torre, vou te mostrar onde você deve bater. Vou trazer os outros até você.

- Mas como se eles não te entendem?

- Confia em mim!

Ele agarrou a avestruz, pela rédea na direção da pequena  claraboia por onde passou a ventania e ficou esperando, pelos outros exatamente como ela havia dito.

- Ivan... 

- O quê Zeeppa?

- "O quê?" o quê? Se concentra seu magricelo folgado, ou logo estaremos mortos. - Zeep respondeu sem entender.

- Ivan! - Anna repetiu, ainda mais alto que da outra vez.

- O Quê!

- Fabrício vai derrubar a torre. Tire a Zeeppa daí agora mesmo! Vão AGORA até ele!

- O Quê?

- Vai Logo!

Ele não entendeu de onde vinha a mensagem, mas não ia esperar a torre cair em suas cabeças pra entender, simplesmente garrou Zeep pelo braço e correu para dentro da torre.

- O que cê tá fazendo? Me larga.

- Acho melhor a gente se apressar!

- Quad! Desce agora e leva esse baixinho junto com você. Pegue as armas. Ache os outros.

A caçadora imediatamente reconheceu no vento a voz amiga que só falava com Fabrício. Agarrou Reesee pela barriga e correu sem olhar pra trás.

- Pode Bater! - Anna sentenciou.

- Mas e os outros? 

- Vai dar tempo. Pode destruir!

Reesee pôde ver a terrível tempestade de areia que começava a se formar um segundo antes de ser carregado para dentro da torre. E o barulho do vento fez sozinho aquela estrutura milenar tremer. A primeira pancada dada pelo centauro foi forte apenas para tirar uns poucos tijolos da construção, a segunda pancada ele atingiu a base da janela.

- No alto! destrua o arco da janela!

Nesse instante Quad e Reesee chegaram gritando: 

-Não faça isso Fabrício, uma tempestade de areia! - Tarde demais. A pancada caprichada, fez a torre inteira se desestruturar e a violenta Tempestade que Anna criou, não deixou que nem mesmo um tijolo os atingisse, empurrando toda a estrutura sobre três dos atacantes: Um Grito abafado e nada mais, eles estavam mortos. A criatura alada escapou, assim que viu o perigo que o vento quente trazia, antes mesmo de a torre começar a tremer, esticou como pôde as suas asas e, mesmo estando bastante ferida, usou o próprio vento para escapar do desmoronamento, indo parar bem longe.

Ao mesmo tempo que saíram ilesos, estavam todos perplexos com o que havia acontecido: como foi mesmo que o vento lhes salvou? E como Quad e Reesee, que estavam no topo da torre chegaram ali a tempo de se salvar?

No fundo todos sabiam, mas não ousariam falar. Anna havia matado aqueles três, sem nenhuma piedade. Fabrício Não conseguia acreditar naquilo.

Anna lembrou das palavras de Pi e não deu explicação nenhuma. E se isso os colocasse em ainda mais perigo?

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