Guerra de pau e pedra.

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 Quando ouvi o boato de que Vincent e Noora Callahan haviam se tornado o mais novo casal da escola, quase faleci

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Quando ouvi o boato de que Vincent e Noora Callahan haviam se tornado o mais novo casal da escola, quase faleci. Foi como se o chão tivesse deixado de existir sob meus pés, como se as linhas da costura da minha vida tivessem dado um nó, e pela primeira vez desde os meus 4 anos de idade, fiquei sem palavras.
O meu cérebro deixou de funcionar direito. Os pensamentos se acumularam, assim como a minha angústia.

Quando alguém começa a namorar, as coisas mudam ao redor daquela pessoa específica. No meu caso, o namoro de Vincent apenas atrapalharia a nossa amizade e isso me deixava inconformada. Eu não seria mais sua prioridade, pois outra garota receberia toda, ou grande parcela, de sua atenção.

— O que você tem, Flores? — Doug estala os dedos, tentando conseguir minha atenção.

Demoro alguns segundos para finalmente respondê-lo. A verdade é que eu não consigo explicar o que sinto, ao menos não sem parecer ciumenta e patética.

Vincent não é meu.
Ele não é minha propriedade privada.

Acha que os boatos estão corretos? — não resisto. — Acha que Vince e Noora estão mesmo juntos?

Um sinal de interrogação aparece em sua testa, competindo numa guerra de pau e pedra contra os cachos rebeldes e ruivos de seu cabelo.
Doug não diz nada, apenas faz um barulho esquisito com os lábios e cruza os braços.

Eles combinam tanto! Vince já me disse que ela é uma grande amiga, e que sempre o tira de sua própria zona de conforto. — volto a falar. — Além disso, ela é sempre tão contente e colorida, enquanto Vince é sempre centrado e cinza.

Se ele diz que não são um casal, não deveria duvidar dele. Conheço bons mentirosos, e o seu melhor amigo não é um deles.

Vai o defender agora? — eles se odeiam! Sempre se odiaram! Onde Doug quer chegar com tudo isso?

Já parou para pensar que talvez o fato de Vincent estar supostamente namorando não lhe incomode de verdade, mas sim o fato de a garota não ser você? — um sorriso perspicaz aparece em seus lábios finos. — Vamos lá, Florence. Você gosta dele.

Maluco! — nego. — Você está maluco! Eu... apenas me preocupo com Vincent, entende? Ele tem um coração de ouro e eu não quero que sofra.

Você o faz sofrer toda vez que finge não compreender o que está acontecendo. — Doug enfia as mãos nos próprios bolsos. — Para Vincent, se amor é um sentimento, o sinônimo é você.

Ele nunca havia me dito isso antes.
Digo, Vincent nunca havia me dito que realmente me amava. Suas palavras eram sempre solitárias, assim como ele.
Nossos diálogos nunca duravam muito se eu não perguntasse alguma coisa, mas logo as perguntas acabavam e eu não dizia mais nada. Era sempre assim, quase uma ordem criada pelo destino.

Homeboy - amigavelmente amigável (livro 1).Where stories live. Discover now