24b. Raptadas (parte 2)

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Dizendo isso Thomas colocou dois dedos na boca e assobiou forte enquanto olhava para o alto, como que a procura de alguma coisa. Um barulho agudo e estridente, acima das árvores e plantas, fez o grupo volver os olhos para o local a tempo de ver duas araras, uma azul e outra vermelha, pousarem nos galhos da árvore mais alta.

— Vamos, Gwa'a — Thomas chamou a companheira. — Temos muito trabalho a fazer e Tupã não ficará nada feliz se falharmos.

A arara azul, em um voo direcionado, pousou no braço do garoto, que ele erguera para recebê-la. Thomas então, começou a se movimentar em direção a estrada, seguido pelas garotas. No alto a arara vermelha também levantou voo e os acompanhou.

O coração de Yvy ficou apertado. Sua respiração acelerou e ela se movia rápida. Lágrimas desciam por sua face. Seus pensamentos a acusavam. Suas duas irmãs eram prisioneiras dos monstros lendários e ela não conseguia nem imaginar o que eles poderiam fazer a elas. Yvy sentia que falhara com as irmãs mais novas. Ela era a mais velha, deveria tê-las protegido. Cabia a ela zelar pelas outras, cuidar delas, protegê-las, mantê-las a salvo. No entanto, não conseguira evitar que acontecesse com elas o que estava tão na cara de todos os mais velhos e agora até no de Thomas: os sete irmãos lendários, estavam vivos e eram atuantes no mundo real e atual. Yvy agora experimentava essa realidade da forma mais dura e doída. Os irmãos monstros atacaram e aprisionaram suas duas irmãs bem na sua cara. E ela cooperara para isso. O avô tinha avisado tanto! E o que ela fizera? Fez Porasy desacreditar de tudo e não estar preparada para se proteger. Estava muito arrependida. Se pudesse voltar atrás... Mas isso não era possível. Então ela tinha que fazer o que fosse possível a partir dali.

Eles tinham pressa, assim não demorou muito para chegarem na casa dos pais de Yvy e Porasy. Ainda ao se aproximarem os amigos perceberam que não havia mais aquela intensa movimentação que acontecia no local antes deles saírem. Aparentemente as pessoas que estiveram ali ajudando na busca por Amandy tinham ido embora.

— Que estranho. Tá muito quieto lá em casa — comentou Yvy.

— Tá mesmo — concordaram as outras meninas.

— Voa, Gwa'a — dizendo isso Thomas deu um impulso para que a arara voasse e saiu correndo.

A arara voou indo em direção a outra no alto e as duas acompanharam a corrida do adolescente.

Yvy, assim que entendeu a ação do primo também saiu correndo sendo seguida pelas outras duas garotas.

Em poucos instantes eles chegaram na casa e como não viram ninguém do lado de fora, passaram direto para dentro da residência entrando pela porta da cozinha. Na cozinha também não tinha ninguém. Todas as pessoas que se encontravam na casa estavam reunidas na sala.

Assim que o grupo entrou na sala, Thomas reparou em todos que estavam ali: o avô Tupã'y, a tia Jhacuí, o tio Itabira e mais algumas pessoas de quem ele não lembrava o nome, apesar de já os ter visto por ali.

— Chegaram, Thomas? — Dhiacuí perguntou. — Vocês estavam demoraram muito. Cheguei a pensar que vocês não tinham visto a Amandy chegar de volta.

— Como assim? — Yvy perguntou olhando em volta e procurando pela irmã menor. — A Amandy está aqui? Ela voltou?

— Claro! Ela disse que passou por vocês no caminho. Vocês não a viram?

— Não! — o grupo todo respondeu junto.

— Onde ela estava? — Yvy perguntou novamente. — Com quem ela estava? Nós não a vimos e não passamos por ela no caminho.

Porasy e o estranho mundo das histórias de seu avô indígenaOnde as histórias ganham vida. Descobre agora