Capítulo 3 - Seu nome era Fael

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Fael mal conseguia ficar de pé. Cada respirada doía.

Tetsuko podia sentir a dor enquanto ele apertava o cabo dela.

A sua volta havia os cadáveres dos homens que ele matara. Ninguém poderia dizer que ele ainda tinha algo a fazer.

Mesmo assim, ele se recusava a recuar; recusava-se a ficar de joelhos.

Não enquanto seu inimigo ainda respirasse.

Enfiando a espada na terra, ele a usou de poio, sem jamais tirar os olhos do guerreiro.

Incrível, a alma dentro da espada pensou, encarando os corpos. Embora o garoto tenha desistido de sua defesa... ser capaz de matar três inimigos assim e ainda ficar de pé...

— Eu vou... fazer... vocês pagarem... por tudo... isso. — Fael conseguiu sussurrar.

Apesar de mal ter força sobrando, ele apertou o cabo de Tetsuko com mais força e encarou a sombra caminhando em sua direção.

A sombra só crescia a cada passo. Só quando uma nuvem bloqueou o sol foi que Tetsuko percebeu que era uma mulher.

Ela é muito mais forte que os outros, compreendeu a ferreira.

— Estou impressionada que um habitante sem nome da floresta conseguiu matar meus homens — disse ela, em voz baixa. — É um insulto a eles, mas minhas ordens são para pedir que o traidor se renda antes de tirar sua própria vida.

— Me render e o quê? Ainda que pudesse viver, como poderia? — Fael encontrou forças enquanto gritava. — Como posso viver em um mundo sem Lia?

A guerreira suspirou.

— Acredite ou não, eu não aprecio a ideia de matar outros compatriotas, não importa o quão traidores sejam.

— De novo... com isso de... compatriota... — Apesar da dor, Fael mostrou um sorriso sombrio. — Seu povo jamais nos ajudou. E agora mandam soldados pra nos matar... e diz que não gosta da ideia de matar compatriotas?

— Precisamos fazer isso, pois vocês traíram nosso rei — disse a mulher com a voz gélida, mas Tetsuko a viu forçando os punhos.

— Trair o seu rei?

— Vocês permitiram que inimigos entrassem em nosso território.

Fael respirou fundo e ignorou toda a dor no corpo.

— Seus inimigos! Não nossos! Pedimos por socorro, por reforços. Mas o exército nem nos ouviu. Então por que deveríamos dar nossas vidas por seu rei?

A mulher fechou os olhos e mordeu os lábios.

— É verdade... Tivemos vários problemas recentemente... Outras lutas nos impediram de ajudar na hora... Mas, se tivesse lutado por seu rei, nenhum de...

— Não é nosso rei! Nunca foi nosso rei!

A energia dentro dele estava agitada. Sua dor e raiva misturaram-se naquele fluxo.

Então é assim que ele consegue ficar de pé, percebeu Tetsuko.

Pesar e tristeza apareceram no rosto da mulher.

— Acho que você nunca irá se render — disse, desembainhando sua espada de duas mãos.

— Jamais poderia, pelos meus amigos que morreram.

Fael puxou Tetsuko do chão e a ergueu perante seu inimigo.

Renda-se, garoto, quis dizer a espada. Ela é muito mais forte que aqueles homens. Você morrerá por nada.

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