Um novo amigo

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Deb

Uma coisa chata, no meu ponto de vista, são as reuniões de pais e mestres onde os alunos são obrigados a participar. Sério, se a reunião é chamada de reunião de pais e mestres, por que raios nós temos que estar presentes? Não existe coisa mais frustrante do que um monte de adultos que mandam em sua vida conversando sobre assuntos que não te interessam nem um pouco.

Perdão tem sim. Uma reunião de pais e mestres com a presença obrigatória dos alunos no primeiro dia de aula. Isso sim é a coisa mais frustrante que pode acontecer com um adolescente. E era exatamente esta situação que minha irmã, eu e outros 198 alunos estávamos enfrentando.

Este era o ano de inauguração da nossa escola, o Colégio Juarez Wanderley, então, éramos os primeiros alunos estudando ali. Creio que era este o motivo da direção ter convocado os pais para uma reunião, mas isso não deixava de ser entediante. Está certo, era uma escola nova, super moderna. E o auditório tinha ar-condicionado (muito útil no verão, estação em que, aliás, estávamos). Mas não posso mentir: era chato mesmo sim.

A diretora da escola, que se apresentou como Bianca Redmore Bittencourt, estava falando sobre várias coisas chatas. E o mais constrangedor, era que meu pai concordava comigo, pois ele também estava achando a reunião um tédio. Como eu sei? A câmera que filmava o auditório deu um close nele dormindo.

Discretamente, dei uma leve pisadinha em seu pé. Infelizmente, ele acordou pulando da cadeira, o que deixou tudo ainda mais cômico. Eu não tinha onde enfiar a cara de tanta vergonha, mas minha irmã, sentada ao meu lado, não parecia se importar.

- Relaxa mana – disse a Pri -, ele sempre dorme nessas reuniões, você sabe disso.

- Pri – retruquei baixinho para meu pai não ouvir -, você quer ficar conhecida como a garota filha do cara que babou no primeiro dia de aula?

Ela pensou por uns segundos e depois olhou em volta, como se só naquele momento tomasse ciência de todos os pais e alunos que olhavam para nossa direção, rindo e sussurrando baixinho.

- Pensando bem – disse ela, se mexendo desconfortável na cadeira -, acho que você está certa.

- Eu sempre estou certa – disse para ela.

Recebi um resmungo como resposta.

Essa era outra situação desconfortável. Nossa escola era financiada pela Embraer, uma empresa fabricante de aeronaves aqui da minha cidade, São José dos Campos. Então, o ensino é de qualidade de escola particular com preço free. Quando meu pai viu isso, pirou o cabeção. Na hora foi com minha irmã, que estava no último ano do ensino fundamental, fazer a inscrição dela para a prova de seleção. Quando ele chegou em casa, tinha me inscrito também, pois se informou lá e viu que alunos do 1ª ano do ensino médio podiam fazer a prova.

Não que eu esteja reclamando, mas estudar na mesma escola da sua irmã mais nova não é bem o que eu queria, principalmente porque me faz parecer repetente (hum... ta bem, eu estou reclamando, mas dá um desconto aí, please?). E o pior: caímos na mesma sala. Tenso assim.

Então, lá estava eu isolada em meus devaneios, quando senti uma coisa estranha. Era quase como um formigamento, junto com uma pontada na cabeça. Parecia que alguém estava me olhando, me sondando... Sei que parece loucura, mas foi o que pareceu na hora. E pra completar o momento esquisitice do ano, minha pedrinha esquentou.

Calma ser humano, vou explicar.

Desde que me conheço por gente eu ando uma correntinha no pescoço, tipo essas de bijuteria, sabe. Nela tem uma pedrinha mágica, ou pelo menos é assim que meu pai chama. Todos os meus irmãos têm uma. Ela é branquinha, oval e muito linda. Tomo o maior cuidado com ela, e seguindo recomendações expressas do meu pai, nunca a tiro. Minha irmã usa a dela em uma pulseirinha, no braço esquerdo.

A Filha do Tempo e os Elementos PrimordiaisLeia esta história GRATUITAMENTE!