L1|| XXV. Outras Formas de Heroismo

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As meninas se despedem e rindo, se vão

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As meninas se despedem e rindo, se vão.

O rosto de Flavio demonstra claramente sua confusão ao me ver comendo a flor que me deu.

Tento sorrir coçando minha nuca, sem graça.

— É que... é normal de onde venho sabe? — É o melhor que consigo pensar para dizer.

— Tu... tudo bem. Hmmm... de onde você é mesmo? — Flavio pergunta e por algum motivo, isso me faz sentir estranha e deslocada.

Não sinto vergonha de ser quem sou nem de vir de onde venho. Mas não estou aqui no mundo humano para isso e dividida entre mentir ou expôr uma já frágil Adaris, prefiro ir embora.

— Desculpa, Flavio. Eu não deveria estar aqui. — Devolvo-lhe o que restou da rosa e começo a partir.

— Como assim? Cali! Aonde vai? — Flavio corre atrás de mim e mesmo eu tentando ser mais rápida, cada passo seu dá dois do meu. Ele me alcança rapidamente, entra na minha frente e me para na calçada do lado de fora de sua faculdade. — Hey! — Flavio me segura pelos ombros. — Por que tá fugindo de mim?

— Flavio, eu não sou daqui, você não entenderia! Eu não sou como vocês e não deveria nem estar aqui! — A salada de palavras começa a sair. — Eu tenho outras coisas pra fazer e não deveria me distrair. Aqui não é o meu lugar!

— Como assim, Cali? Por que diz isso?

— Por que você é daqui e eu não! Entende? — Explodo sem querer, embalada pelo pequeno vexame que dei ao comer a flor na frente deles.

Não tenho nada contra humanos nem contra seu mundo. Mas não sou daqui e nem sou como Alexis ou Igor, que se adaptaram tão fácilmente. Já está quase impossível para mim distinguí-los de humanos!

Não sou boa em fingir ser algo que não sou. Não quero esconder-me! E assim que cumprir minha missão para Adaris voltarei e lá ficarei!

— Claro que entendo! Acha que eu nunca achei o mesmo? Olhe a sua volta! —Relutantemente eu o faço, sem entender aonde ele quer chegar. — Carrões, celulares caros, laptops do último tipo. Bairro e universidade de rico! Você lembra onde me encontrou jogando basquete?

Lembro. Era certamente uma parte diferente da cidade de São Paulo das quais já estive. Mas não entendo o por quê. O que significa ser "de rico"?

Seja lá o que for, pela entonação de Flavio já entendi que é algo que ele não é.

— Lembro. O que tem?

— É lá onde moro, Cali. — Continua Flavio. — Na periferia. E quando entrei nessa facul, de cara pensei que não pertencia aqui, com esse bando de boyzinho e patricinha. Nenhum deles nunca nem se quer chegou perto de onde eu moro. Eu não tenho nem metade do dinheiro que essa gente tem, não poderia nem pagar pra passar na porta de entrada daqui!

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