CAPÍTULO 1 - UMA PROFECIA

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 "Se um amor inocente escolher

O rei Valente irá morrer

A chama do reino então se apagará

A fome, a febre e as vozes irão se abraçar

E num último suspiro súditos irão pedir

Por um novo rei com herdeiros

Que pela glória e a paz irá lutar

Mas se a feiticeira o amor impedir

Não apenas o destino de um homem irá interferir

E sua maldição quebrará

Sendo levada pela brisa do oeste

Para uma terra distante, onde o sol jamais tocará"


Reino de Orcadas, ao norte do Reino da Inglaterra, meados do século XIV.

- Entre, seu bicho imundo! – Um dos homens da guarda real gritou, puxando pelos cabelos alguém em trapos.

Naquele momento, o grande salão do rei estava vazio. As pessoas e os pedintes haviam liberado o local assim que foram ouvidos pelo representante da coroa.

O rei estava com uma de suas concubinas e todos sabiam disso. Ele não era um homem que se importava com os requerentes plebeus. Os pedidos haviam sido ouvidos, era fato. Haviam sido registrados e devidamente arquivados na pira de fogo que alimentaria os caldeirões do castelo.

Porém, por algum acaso, no momento em que os homens responsáveis pela prisão de mendigos e prostitutas entraram na enorme construção de pedra e madeira talhada, com grandes vãos e um enorme e assustador domo sobre suas cabeças, perceberam que o salão não estava inteiramente só.

- Meu senhor! – eles prestaram reverência, se ajoelhando e abaixando suas espadas de um gume. Um deles, com uma enorme ferida purulenta à cabeça e os olhos cor de corvo e tão expressivos quanto, empurrou para o chão o ser que puxava com brusquidão em suas mãos. Ela caiu, deixando seu corpo ser levado pela força daquele homem.

Seu corpo estava cansado, seu espírito assustado, mas sua ferocidade ainda era possível ser sentida. Ao cair, o ser se apoiou em suas mãos feridas e por mais que quisesse, não levantou a cabeça. Seus cabelos sujos e maus cheirosos esconderam a face coberta de fuligem e boa parte dos trapos que vestia sobre o corpo esguio.

O rei nem ao menos se deu o trabalho de abaixar o olhar. Ele assentiu duramente, como costumeiramente fazia. A concubina que lhe fazia companhia naquele dia era uma senhora duquesa, mulher de um dos campeões da coroa. Ela tinha um rosto altivo, não muito bonito, porém, limpo e corado. Provavelmente por causa dos prazeres que havia concedido a seu Rei. Ela espiou a pessoa jogada ao chão e cobriu o nariz comprido e quadrado com um lenço de seda, não escondendo sua expressão de nojo.

- Meu Rei, nós encontramos essa bruxa profetizando infortúnios para seu futuro. Ela está sendo levada para os Poços de Miséria, onde é seu lugar.

A concubina sorriu desgostosamente.

- Infortúnios! Deve ser uma feiticeira louca a evocar mal a um soberano.

O rei, calmo e austero, ergueu sua mandíbula quadrada com os pelos faciais mal aparados e olhou para os homens mais uma vez.

- Deixe a mulher ir.

- Meu Rei... – aquele que continuava se impondo exclamou. Em sua malha havia um broche de cobre. Ele era o capitão. – Essa mulher espalhou uma mentira sobre meu senhor. Profanou a sorte do reino. Falou que o Rei não teria um herdeiro!

A PROFECIA DO REILeia esta história GRATUITAMENTE!