Capítulo 9: Um souvenir da mansão

981 214 35

Eu contei os segundos para o fim daqueles dois dias infinitos, mas quanto mais eu queria que o tempo passasse, mais devagar ele parecia passar. Ficar na mansão dos Darby era esquisito, mas foi a presença de James que fez tudo ficar ainda pior. Ele não arredou pé desde que descobriu que eu ainda estava na mansão, a convite do Duque. Virou uma sombra de Lady Jennifer, que ficava vermelha e ligeiramente sorridente toda vez que ele a tocava. Meu rosto também queimava. No início eu achei que era de constrangimento, mas, depois da décima quinta vez, comecei a entender que era de raiva.

Então, fiz o que tinha que fazer: tentei o máximo que pude ficar longe dos dois. A mansão era enorme, o que era uma vantagem. A desvantagem era o mordomo, que ficava me seguindo pela casa como se eu não fosse bem-vindo ou como se eu estivesse prestes a desbravar uma ala misteriosa. Talvez os Darby tivessem sua própria versão da Ala-Oeste e Lady Jennifer tivesse um irmão que, na verdade, tivesse cara de lobo. É claro que, mesmo assim, ele teria um excelente título.

Porque era isso que importava dentro daquela casa: títulos. O motivo pelo qual James podia ficar sozinho com Lady Jennifer em qualquer quarto, mas eu não podia nem andar pela casa sem ser vigiado. O mordomo só largava do meu pé quando eu me trancava no meu quarto e buscava ter um pouco de paz. Em um desses momentos de reclusão eu, de fato, liguei para minha mãe.

O que se mostrou uma ideia idiota no segundo que ela começou a gritar.

― Como assim você está na casa de um desconhecido? ― Ela berrou.

― Não são bem desconhecidos ― eu tentei dizer, mas a verdade era que ela estava certa. ― São membros da nobreza. Uma família de Duques...

― Podia ser a família do Papa, Lucas! ― Ela reclamou do outro lado. ― Você tem que sair dessa casa!

― Não é bem uma casa... ― eu tentei defender os Darby novamente. Nem sabia muito bem o porquê. ― É uma mansão.

― Podia ser o próprio coliseu, Lucas! ― Ela retrucou, sem querer ouvir.

Conclusão: tive que ficar quinze minutos no telefone ouvindo um sermão que nunca acabava. Para piorar, a conexão de internet na minha casa era muito ruim, então era um serão que nunca acabava e que vivia entrecortando, me possibilitando entender só pedaços dos gritos. Lá pelas tantas meu pai, que devia estar tão de saco cheio quanto eu de ouvir minha mãe, pegou o telefone da mão dela.

― Escuta ― ele disse, com os berros da minha mãe fazendo coro ao fundo. ― Essa história deve dar um bom dinheiro. O que você acha de vendermos para a mídia local?

Eu suspirei, desabando na cama. O colchão macio me jogou para cima de novo por um segundo, antes de me abraçar. Era uma pergunta tão típica do meu pai que eu não sabia porque eu estava surpreso. Tive que juntar todas as minhas forças para não berrar com ele de volta e responder com o mínimo de decência.

― Não vamos vender a história ― eu respondi, tentando ser o mais claro possível para o caso do telefone picotar. ― Não quero. Entendeu?

― Entendi, filho... ― Ele soou decepcionado. ― Só estou dizendo que daria uma boa grana e...

― Chama a mamãe ― eu cortei, sem querer ouvir mais nenhuma palavra.

Tive que ouvir mais alguns minutos de gritos antes de conseguir fazê-la prometer que não ia deixar meu pai vender história nenhuma para mídia. Tive que prometer também que mandaria notícias constantemente e que voltaria para casa assim que fosse seguro.

Liguei também para Seb, que só sabia falar "que loucura" repetidamente. Depois perguntou se eu me importava de ele chamar uma menina para dormir no nosso apartamento enquanto eu não estava. Eu disse para ele ficar à vontade, mas a perspectiva de voltar para aquele apartamento minúsculo e termos mais um hóspede constante me aterrorizava. Sem falar que as paredes eram tão finas que com certeza eu seria capaz de ouvir cada respiração que Seb compartilhasse com quem quer que fosse.

SIR: um plebeu honradoLeia esta história GRATUITAMENTE!