Helena se preparou e avançou para cima de Leonel, que estava estático. Ele ainda não havia nem aberto seus olhos desde que ela o viu. Ele se defendeu e a jogou para longe com um chute na barriga.

   -Bom, se você quer realmente brincar, vamos brincar. – Ele finalmente abriu seus olhos.

   A figura de Leonel mudou totalmente. Antes era um homem ruivo, com uma expressão normal, de quem estivesse apenas se divertindo com tudo que estava acontecendo. Não era um garoto alto, muito menos forte. Tinha por volta de 1,72m de altura, e um físico parecido com o de Costa, filho de Poseidon. Após abrir seus olhos, seu cabelo ruivo ficou vermelho, cor de sangue. Surgiram cicatrizes profundas por todo o seu corpo, principalmente em seu rosto. Seus olhos eram labaredas de fogo, e se olhasse diretamente para eles, você sentia o seu sangue sendo ejetado por todos os poros de seu corpo. A aura que sua presença passava, fazia com que você sentisse que todas as pessoas próximas a você, estivessem sendo mortas naquele instante, bem na sua frente. Ele claramente era um dos filhos dos deuses mais poderosos, se não for o mais poderoso.

   Ele jogou sua espada para trás, e pegou uma lança. Ela era grande o suficiente para ser o triplo do tamanho da espada de Helena. Ele avançou para cima dela, e tentou perfurar seu peito com um golpe. A filha de Apolo conseguiu se esquivar do ataque, e tentou se aproximar para contra-ataca-lo, mas foi recebida com outro chute em sua barriga. Ela não tinha muita noção de como iria derrota-lo. Olhou para trás e começou a ver seu exército inteiro sendo dizimado pelos espartanos. "O poder divino dele é dar uma força de combate muito maior para seus soldados. Que droga'', Helena pensou. Quando voltou a olhar para Leonel, ele estava em sua frente e a desferiu um golpe muito forte em seu braço. O mesmo braço que Klaus havia machucado á um mês atrás. Ele voltou a sangrar, e todas as cicatrizes que nele tinham, se abriram. Ela sabia que conseguiria se curar disso, mas não sabia até quando. Precisava pensar em uma maneira de contra-atacar ele.

   Helena olhou para o sol, e assim como contra Klaus, suas sardas passaram a cintilar, e Leonel foi cegado por alguns segundos. Seus machucados se regeneraram, e ela conseguiu ataca-lo nessa brecha que teve. Ela o derrubou e conseguiu fazer com que ele se desfizesse de sua lança. Ele estava de peito aberto, era só mata-lo, e ela ia fazer isso.

   -Você não vai gostar de fazer isso, mocinha. – Disse Leonel, olhando com cara de deboche para ela.

   -Pode ter certeza de que eu vou! – E foi para cima dele para mata-lo.

   -Você pelo visto não conhece nada dos poderes divinos. Eu possuo uma maldição, garota. Se você me matar, todo o meu poder vai ser transferido para todos os meus soldados. E, bom, seu povo e seus soldados serão totalmente dizimados sem nem terem chances de fazer algo a respeito.

   -Não... Isso não é possível. Você está querendo fazer com que eu tenha piedade de você. – Helena não sabia mais o que fazer.

   -O único jeito de vocês vencerem essa guerra, e consequentemente não perderem todo o território e todo o povo de vocês, é vocês me derrotando por último. Mas pelo que eu consigo ver daqui, seus soldados não são páreos para os meus. A única chance que vocês têm é você transferir seu poder para todos os seus soldados. E você sabe muito bem como fazer isso. – ele deu uma pausa em suas falas - Vai me dizer que você achava que meu pai, Ares, o Deus da Guerra, iria para uma guerra sem uma ''carta na manga''? Você é mais ingênua do que eu pensei, Helena.

   -Não... Não! Não! Isso não é possível. – Seu corpo já não respondia mais a seus comandos, Helena caiu sentada no chão e estava totalmente traumatizada com todas aquelas palavras.

   Helena olhou para trás e viu seus soldados morrendo um por um, sem conseguir revidar. O poder de Leonel era forte o suficiente para fazer com que todos do seu exército ficassem extremamente mais fortes. Ela precisava tomar uma atitude. Ela não aguentava mais ver o seu exército ser dizimado. Ela só via uma escolha a ser feita. Sem hesitar, olhou para o sol e começou a entregar todas as suas forças e energias a ele. "Zeus colocou o dever de proteger e liderar a todos, em cima de mim. Eu prometi que faria jus a toda essa confiança, e eu farei", Helena se entregou ao sol.

   A luz solar ficou cintilante como nunca havia sido vista antes. Toda a essência de Helena foi transferida para cada um de seus soldados, e luz solar cegou a todos, menos aos atenienses, que agora estavam com um poder acima do comum. O poder de Helena.

   A guerra começou a virar, os espartanos não tinham como revidar a todos os ataques atenienses. Em questão de minutos, não existia mais nenhum soldado de Esparta vivo.

   Leonel não conseguia se mover. Seus olhos ardiam, e era uma dor maior do que qualquer machucado que ele já havia sofrido em sua vida. Os filhos de Ártemis já haviam percebido o que havia acontecido. Foram diretamente até onde Helena estava com Leonel. Ele estava deitado no chão com os olhos arregalados, gritando de dor e sem conseguir se mexer. E ela... Não estava mais ali, estava dentro do coração de todos que ela salvou.

   Leonel foi esquartejado por todos os soldados atenienses, até não sobrar mais nenhuma parte do seu corpo que pudesse ser reconhecida.

Em Atenas

   Após semanas da guerra entre Atenas e Esparta, foi criada uma estátua de Helena bem ao centro da cidade, com uma escritura de Apolo nela:

-O verdadeiro rei é aquele que morre pelo seu povo, e não aquele que faz com que seu povo se sacrifique por ele. Helena é a mais nova Rainha de Atenas, e o único motivo para todos nós, atenienses, estarmos vivos.


Matheus Corrêa.

HelenaWhere stories live. Discover now