Um mês antes

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   -Helena! – Gritava Apolo pela casa. – Onde você está? Você está atrasada garota!

   -Eu sei pai, mas eu não acho minhas roupas em lugar algum. Pera... O que você faz aqui? Você não deveria estar no Olimpo? – Helena parecia espantada, mas feliz com a visita inesperada.

   -Exatamente. Eu deveria estar no Olimpo, mas a senhorita está muito atrasada para se apresentar à praça central! Você não pode se atrasar, ou perderá a chance de mostrar o poder da filha de Apolo.

    Ouviu-se Apolo estalar seus dedos no andar de baixo e, imediatamente, suas roupas apareceram em seu corpo. Quando Helena foi se olhar no espelho, já estava vestida. "Por que ele não fez isso antes? Droga." resmungava. Vendo seu reflexo no espelho, percebeu detalhes sobre si mesma que nunca havia reparado. Seu cabelo ruivo passava de seus peitos, e possuía ondulações nas pontas. Suas sardas no rosto passavam a impressão de que o sol cintilava bem abaixo de seus olhos. E seus olhos azuis eram mais penetrantes que os raios solares do verão mais ensolarado já existente. Percebeu que sempre que falava, uma de suas sobrancelhas se levantava levemente, passando uma impressão de deboche, mas ao mesmo tempo sedução. Sua cicatriz no pescoço fora herdada de uma batalha dura contra si mesma quando bebê. Essa formava um ''C", ou "Confiança, sem o onfiança" como ela gostava de dizer. Suas mão pareciam delicadas, mas enganava-se quem achava que isso tornava ela uma mulher delicada, ou fraca. Helena venceu sete vezes o torneio ateniense de espadachim. As sete vezes foi colocada para lutar três vezes mais do que deveria. Era inaceitável que uma mulher vencesse algum homem com tamanha facilidade, mas ela sempre o fez. Era considerada a espadachim mais bela, e mais habilidosa já existente na Grécia.

   Apolo possuía a filha mais poderosa dentre todos os deuses do Olimpo. Mas isso só fez com que os três deuses mais poderosos (Zeus, Poseidon, Hades) se revoltassem. Não era possível que uma neta de Zeus fosse mais poderosa que um filho do mesmo. E era para isso que Helena iria se apresentar na Praça Central nesse dia. Seu poder foi colocado à risca, e ela iria ter de se provar contra um filho de cada um dos três poderosos, novamente. Mas dessa vez, era até a morte.

   Helena claramente estava assustada com a situação. Mas sabia de seu potencial. E sabia que só precisava confiar em si mesma para derrotar qualquer um que aparecesse em seu caminho. Apolo fez questão de leva-la até a Praça Central em sua carruagem, para que chegassem o mais rápido possível. Durante o caminho todo, ela não parava de notar o quão importante era aquele momento para seu pai, seu Deus criador. Além disso, também notava a similaridade das sardas do rosto dele com as do rosto dela. Eram praticamente idênticas, com a única mudança de que as dela eram mais delicadas e menores.

   Chegando à Praça Central, Helena viu Zeus, Poseidon e Hades, sentados em três tronos um ao lado do outro, bem ao lado de onde seriam realizadas as batalhas. Ela sabia que esse dia seria complicado, e que qualquer deslize, iria resultar em sua morte. Desceu da carruagem de Apolo, e assim que pôs os pés ao chão, todas as nuvens do céu sumiram num piscar de olhos. O céu em Atena naquele dia estava muito mais ensolarado que o normal. Assim que começou a andar ao centro do local para que começassem os preparatórios para as batalhas, todas as pessoas e deuses (tirando os três mais poderosos) se ajoelharam e começaram a reverenciar sua chegada. Helena nunca sentiu aquela energia, sempre foi ela por ela mesma. Agora, estava carregando as esperanças e sentimentos de todos, ou quase todos, ali presentes. Sentiu o nervosismo, mas sua vontade de fazer jus àqueles sentimentos era muito maior.

   Assim que chegou ao centro, Ártemis foi ao seu encontro.

   -Sobrinha. Você carrega todas as forças femininas existentes nesse mundo. Você é a escolhida para carregar o manto de heroína, e de Saber ateniense. Eu e seu pai estamos torcendo por você, e por mais que ele não demonstre tanto isso a você, você é a principal fonte de orgulho daquele deus. Boa luta, pois sorte você não precisa.

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