O Pior Tipo de Hipócrita

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Um prato convencional de comida na mesa, carne bovina, uma das variedades de carnes mais consumidas na Europa, nas Américas e na Austrália, em 2012 a estimativa de bovinos abatidos foi de 233,53 milhões de cabeças em todo o mundo. Uma sala de jantar esquecida pela vaidade, apenas uma mesa velha com uma cadeira, geladeira e fogão, e no centro da mesa, no cerne de toda refeição, reflexão, devaneios, está a foto dela, uma bela e inofensiva garotinha no auge da inocência de seus sete anos, tão meiga e pura quanto morta pela injustiça que rege o universo, que coloca tudo e todos desconfortavelmente em seus lugares. Ali, descendo o abismo melancólico de cada dia, um homem sentado, devora sua refeição apreciando o salgado sabor da tristeza.

"Ela era muito nova para morrer! Malditos..."

Dois anos atrás, dois homens foram mortos em uma estrada afastada da cidade, um caso de assassinato peculiar, os corpos estavam com pouco sangue e nenhum sinal de ferimento grave. Dois policiais de estrada foram interrogados, eles estavam perto da cena do crime, nada de muito importante foi tirado deles quanto ao assassino, que até hoje permanece desconhecido, apenas sobre uma possível criança que eles pensaram ter avistado, e quando foram investigar não havia nada senão os dois corpos mortos.

Uma garotinha que, não contentes em "morder" devem a ter levado para seu esconderijo macabro, e ele poderia apenas imaginar o que ele teria feito a ela.

Grant Nunca pôde sequer ver o rosto pálido e inerte de sua filha, toca-la uma última vez para que seu espirito pudesse aceitar, e foi assim que ele jurou subjugar todos os sanguessugas até que chegasse sua vez de ser subjugado.

E quando termina sua refeição temperada com lágrimas e fúria, o telefone toca, "deve ser da central, devem ter encontrado outro miserável para morrer hoje" ele levanta com sangue nos olhos, e resto de comida nos dentes, já não havia amigos ou familiares para receber ligações, ele havia se isolado da sociedade, dedicado sua vida a caçada. E a voz de Keira Bennett, uma das únicas coisas doces e confortáveis que ele ainda sentia:

­– Oi Grant, como você está?

­– Do mesmo jeito de sempre, obrigado, o que você tem para mim hoje? Eu acabei de comer, mas ainda estou com fome – um leve e sombrio sorriso encarava o telefone, outra coisa que ele ainda sentia prazer era exterminar os malditos sanguessuga.

­ – Eu acho que você vai gostar da notícia então, nós rastreamos um morceguinho agora a pouco, é um bem rico que se passa por um empresário, dono de uma fábrica de biscoitos, nós também hackeamos o sistema de segurança dele, não tem nenhum guarda na mansão, no máximo um ou dois empregados, sabe como são esses vampiros e suas porcarias, eles certamente não querem ninguém por perto. Infelizmente você vai ter que ir sozinho nessa, os outros agentes já estão ocupados com outras coisas bem importantes.

­ – Ok, eu não ligo em ir só, apenas passe as informações para o meu celular, que já estou indo agora mesmo.

­ – Está bem, acaba com esse riquinho filho de uma morcega! Boa sorte.

– Quando terminar eu ligo para você mandar fazer a limpeza, até mais.

"Mais um vampiro infame entrou na minha mira, já estava na hora" e o caçador sedento por sangue se prepara para mais uma noite de caça, veste sua roupa, uma calça jeans moderadamente antiga, uma camisa qualquer, ele nem faz questão de saber se há ou não algo escrito ou ilustrado, um sobretudo, para combater o frio e esconder o arsenal; duas pistolas, vários pentes de bala e uma granada caso algo dê errado. Sai de sua casa em um bairro de periferia qualquer, sobe na moto e parte para a estrada, contando as milhas para mais um confronto.

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