Trinta e quatro - Alice

Começar do início

Mas que grande porcaria.

Talvez eu estivesse apaixonada.

Só que não pela pessoa pela qual eu deveria estar.

Tentei dar um sorrisinho para Quentin, porque sabia que pensar em Jax tinha me feito fazer cara de dor.

A música parou. Eu nem tinha registrado quanto tempo tinha passado, nem tinha me dado conta do que tinha feito, mas foi um alívio quando Quentin me soltou. Eu olhei ao redor, sem saber o que fazer, e então mais uma música começou. Daquela vez, o círculo de convidados se fechou e as pessoas começaram a dançar ao meu redor. Era tanta gente que, no segundo em que me desconcentrei, perdi Quentin.

O que, claro, foi ótimo.

Abri um sorriso e comecei a caminhar por entre os pares dançantes, porque afinal de contas, ninguém estava mais prestando atenção em mim. Isso e porque uma parte de mim que se recusava a perder as esperanças queria desesperadamente achar uma saída para, quem sabe, conseguir fugir dali.

Mas claro que meu sonho durou pouco.

Enquanto eu andava tentando não tropeçar nos meus próprios saltos e no meu vestido, senti alguém me puxar pelo braço. A única pessoa que poderia fazer era Quentin e eu já estava ensaiando a desculpa que ia contar para ele quando a pessoa em questão me virou.

- Jax?

Ele sorriu, aquele sorrisinho meio de lado que fez meu coração achar que saltar pela minha boca era uma boa ideia.

- O que você está fazendo aqui, o que....?

- Shhh... - disse ele, me puxando para perto. Eu ainda estava de boca aberta; tinha de certeza de que aquilo só podia ser uma miragem.

Então nós começamos a dançar. A mão dele envolvia minha cintura e, diferente do que havia acontecido com Quentin, eu não precisei sequer pensar no que estava fazendo. Nós nos movíamos como uma pessoa só, sem nunca termos feito aquilo antes.

Eu estava olhando para cima, para os olhos dele, e tudo o que eu queria era beijá-lo, mas sabia que seria uma péssima ideia. Quando ele engoliu em seco soube que ele estava pensando exatamente a mesma coisa nós dois acabamos dando uma risadinha.

- Queria poder ter tido a primeira dança com você. - disse ele. - Queria que a nossa primeira dança tivesse sido em uma situação... um pouco mais agradável.

- Jax, qualquer dança em qualquer lugar... contanto que seja com você... vai ser a melhor dança do mundo.

Eu não sabia o que estava falando.

Quer dizer, eu sabia, mas era como se não houvesse um filtro entre o que eu pensava e o que estava dizendo.

Jax, por sua vez, pareceu muito feliz com o que eu tinha acabado de dizer, porque abriu um sorriso gigantesco e eu percebi que poderia falar aquilo quantas vezes fossem necessárias se significasse vê-lo sempre daquele jeito.

- O que você está fazendo aqui? - perguntei, porque ainda não estava entendendo. Talvez aquele fosse só um sonho. Ou talvez uma ilusão. Tinha que ser uma ilusão, Quentin jamais deixaria Jax pisar no castelo, ao menos que... - Jax, não me diga que Quentin te convidou para vir aqui hoje.

Ele abriu um sorrisinho que só podia significar que era exatamente o que tinha acontecido.

- Só pode ser uma armadilha! - sussurrei, talvez com um pouco de entusiasmo demais. - Ele não faria nada que pudesse te trazer para perto de mim se não fosse uma armadilha, e você caiu!

- Eu não caí, princesa. Eu sei que é uma armadilha, mas eu precisava ver você. Isso - ele continuou, porque eu estava prestes a interrompê-lo e chamá-lo de idiota. - e porque preciso encontrar o Sebastian.

- Mas...

- Shhhh. - ele apontou um lugar atrás de mim com a cabeça. Eu me virei. Havia uma rapaz muito ruivo em roupas verdes que se esquivava das pessoas, olhando para os corredores. Dei de ombros, porque não estava entendendo.

- O rapaz dos estábulos - disse ele. - Tobias.

Tobias?

Senti minhas sobrancelhas se erguendo conforme entendi o que ele queria dizer.

- Tobias? O Tobias? - Jax fez que sim com a cabeça. - Mas ele está humano. O que... O que vocês aprontaram? Eu sabia que iam fazer alguma coisa estúpida. Eu tinha certeza.

Ele deu uma risadinha.

- Talvez, mas é uma longa história. E eu faria o que fosse preciso para tirar você e o Sebastian daqui. O Tobias também.

A música parou. Eu sabia que não ia poder dançar com Jax de novo, não sem fazer parecer que havia alguma coisa entre nós. As pessoas podiam não se lembrar de quem ele era, mas com certeza começariam a falar se eu simplesmente trocasse Quentin por um estranho. Não que eu me importasse com o que elas falassem, mas não queria colocar Jax em risco - pelo menos não mais do que ele já estava.

Nós paramos, as mãos ainda umas nas outras. Ele pegou meu queixo com o polegar e o indicador, se aproximou de mim e pousou um beijo na minha testa. Engoli em seco quando Jax se afastou, querendo que ele ficasse ali. Jax então beijou minha mão, fez uma mesura e se afastou no meio da multidão.


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N.A.: Gente, estava sem atualizar porque estava de férias viajando. Agora voltamos com nossa programação normal ;)

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