1° Capítulo

178 14 12

Você já sentiu como se toda sua vida fosse um total vazio? onde tudo e todos te cercam e mesmo assim você ainda se sente vazia ou sozinha? Então, eu me sinto assim.
Era para ser um novo ano onde tudo daria certo e eu finalmente me encontraria e viveria todas as experiências incríveis dos meus 17 anos. Deitada na minha cama eu olho para o relógio que acabava de despertar, mas eu nem tinha conseguido dormir a noite anterior, acho que ainda não tinha caído a ficha ou me dado conta que a minha vida... Meu pensamento é interrompido com uma batida na porta.

– oi, bonequinha. Como está se sentindo ? - minha mãe perguntou
– Acho que... Estou bem. falei e ela não pareceu estar convencida – Sei que não é fácil essa situação, mas você vai ficar bem.
Eu não quero ficar bem, eu só quero ficar sozinha com a minha dor.
– Seu irmão era... - vamos descer ? – interrompi antes que ela começasse a me dizer tudo que eu já tinha ouvido antes.

Descendo as escadas era possível sentir a tristeza que tomava conta da casa, meu pai estava sentado no sofá e eu mais do que ninguém sabia quão forte ele era, não só ele mas minha mãe também por estarem passando por aquilo e ainda estarem de pé.

Minha mãe colocou a mão sobre meus ombros e veio me acompanhando enquanto eu ia até a cozinha para o café.

– ansiosa para as aulas amanhã? Ela pergunta enquanto faz panquecas
– Ah, nem tanto. Pretendia ficar em casa mais uns dias, e que tipo de escola começa as aulas na terça?!

Meu pai se levantou e veio me abraçar, acho que esperando que eu chorasse, mas eu também não entendia porque eu não estava chorando.

–  Sabe, eu sei que ainda deve doer. A falta dele, eu também sinto. – meu pai falou e eu fiquei parada sem saber o que dizer.
   
* Vamos, mel vai ser legal. E depois vamos ver aquele filme chato que você tanto gosta. – isso é uma péssima idéia e chato é você.
– vamos mel, se arrisque.

E eu podia ouvir a risada dele e lembro de ter dado uns tapas nele, ele me pegou e me colocou nos ombros e nós dois rimos e ...

– Melanie ? Melanie, querida? Meu pai chama

Meu pensamento é interrompido e me dou conta que era apenas uma lembrança. Eu queria subir e ficar dentro do meu quarto e ficar sozinha com o meu luto, porém eu não podia permanecer em luto a vida toda já tinha se passado 2 anos. Só era mais difícil do que eu pensei, aguentar tanto e fingir todos os dias que eu estava bem e que passaria por tudo aquilo firme e iria superar a perda que eu tive. Eu só não me dava mais a chance de chorar, porque eu não aguentava mais chorar.

– Me desculpe, estou meio desconcentrada. Sorrio. ele e minha mãe se olham e vejo em seus olhares que está doendo tanto neles o tanto que dói em mim.
– Tudo bem, querida. Coma suas panquecas minha mãe diz.

Meu pai da um beijo em minha mãe e diz que vai estar no seu escritório. Como minhas panquecas e decido ir a escola amanhã, afinal começa meu último ano e as minhas amigas estão querendo muito que eu vá, estou com saudades e muitas, preciso comprar meus matérias nem me dei conta disso. Assim que termino de comer, vou até meu quarto e troco de roupa, decido colocar uma calça jeans lisa e uma blusa preta.
Vou até o espelho e vejo que mesmo sem eu querer eu vivo em luto até nas minhas roupas.

–Não! Falo para mim mesma, hoje fazia dois anos desde a morte de Lucca, meu irmão e eu não vou passar esse dia todo de luto, eu sei que parece louco, mas Lucca transmitia alegria e paz por onde passava e eu me recuso a deixar que isso seja esquecido. Vou ao meu armário e pego um vestido florido simples, mas lindo. Coloco uma sapatilha e solto meus cabelos, passo rímel e um batom e fico satisfeita com o resultado. Me lembro de pegar uma bolsa e escolho uma marrom clara e também pego uma jaquetinha jeans. Estou pronta!

Quando saio do meu quarto lembro que estou sem dinheiro então vou até o quarto da minha mãe e antes de bater na porta ouço choros. Meu coração se parte.

Bato na porta e a chamo – Mãe?
– Oi, querida – ela sorria tentando esconder que estava chorando mas falha porque era notável em seu rosto
– decidi ir para escola amanhã e queria saber se pode me esprestar o carro e um dinheiro – dou uma risadinha
– oh, claro. Só um minuto. Ela levanta e vai até sua bolsa e pega sua carteira retirando seu cartão – aqui está, as chaves do carro estão na mesinha da sala.
– obrigada, mãe. Antes de fechar a porta eu sinto que devo dizer algo. Desde que meu irmão se foi, eu me fechei para todos e meus pais foram um desses, quase não falava com eles ultimamente. – Ah, eu te amo. Falo e ela sorri e fecho a porta antes de ouvir uma resposta.

Desço as escadas e a visão é bem ampla para sala e as chaves estão na mesinha como ela disse, pego-as e saio de casa. O carro da minha mãe é muito confortável, não ligo o rádio porque quero evitar ouvir qualquer música triste. O caminho não é longe até o centro, assim que chego procuro uma vaga e rapidamente encontro, pego minha bolsa e a jaqueta e tranco o carro.
A loja não está cheia, vou até onde os cadernos ficam e escolho 2 cadernos de 10 matérias e pego todo o resto que preciso para escrever e que vou utilizar, quando pago e saio da loja logo em frente tem um livraria não resisto e vou até lá, penso em comprar uma mochila porém vou usar uma de couro  que tenho guardada em casa. A livraria é enorme e vou na parte de romance, fecho os olhos e pego o livro com o nome "Um dia", costumo escolher livros assim, acho mais interessante. Assim que saio da livraria, vou para o carro e coloco as coisas no banco ao lado e finalmente vou para casa.

Chego em casa e estou morrendo de fome, preciso de comida urgente.

– oi pai. Falo, ele está assistindo o jogo
– oi, querida. Ele responde mantendo os olhos na tv!

Tenho que guardar as coisas que comprei

– aposto que está com fome. Minha mãe fala descendo as escadas, sorrio e faço que sim com a cabeça
– Vou fazer o jantar bem rápido - minha mãe diz e vai em direção a cozinha.

Eu fico ali parada em frente a escada e penso, hoje é segunda a noite e meus olhos se enchem de lágrimas.

– Hoje é segunda a noite - gritei e respirando fundo para não chorar continuei – Lucca pedia pizza toda segunda a noite.

Meu pai se aproximou colocando a mão sobre meus ombros e disse – Vou pedir a pizza.

Minha mãe veio da cozinha e me abraçou, ela não segurou suas lágrimas, mas eu sim. Guardo minhas coisa no quarto e assim que volto sentamos na sala e esperamos a pizza chegar.

Escolhemos um filme, a pizza não demorou tanto a campainha toca e logo minha mãe volta com a pizza e a coca- cola, peguei os copos e nos reunimos como toda segunda a noite, a única diferença é que teria um lugar vazio para sempre.

Quando o filme terminou meu pai me deu um beijo em minha testa e foi para cima e minha mãe foi atrás.

Boa noite, querida! eles disseram – Eu sorri como resposta.

Acho que precisávamos disso nos despedir da nossa forma da nossa vida, de Lucca.
Subi e quando eu entrei no meu quarto tantas lembranças vinheram tomando conta de mim, me deitei esperando conseguir dormir.

Lembrei das noites que tive pesadelos e ele entrava em meu quarto e ficava comigo, ele foi o irmão mais incrível e eu sinto uma dor no peito de saber que ele nunca mais vai entrar pela porta do meu quarto. Adormeço com a lembrança do seu sorriso em minha mente.

ESPERO QUE GOSTEM, ESTAREI POSTANDO AOS POUCOS!!!!! 


Tem um verão no meu invernoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora