Capítulo 13 - A Chave

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O sorriso debochado dele estava me deixando ainda mais irritada, mas não demorei a perceber que era isso o que ele queria, acabar com a minha paciência. Respirei fundo me mantendo na linha e pensando que com toda a certeza, ele era o guardião mais irritante que eu já tinha conhecido até hoje. Sobre essa história de teste, isso não me surpreendia mais. Quando esses pensamentos passaram por minha cabeça, o guardião riu um pouco mais alto e me perguntei se ele não era capaz de ler meus pensamentos... Depois de tudo o que eu tinha visto, não duvidava.

- Então, garota, como continuaremos com isso? – Ele perguntou impaciente quando não fiz menção de dizer nada

- O que eu terei que fazer?

Christopher se aproximou por trás de mim e segurou meus ombros em um gesto sutil, talvez querendo me passar confiança. Senti os outros se aproximando também e o guardião levantou-se.

- Não é muito, você só tem que provar que merece o que tanto quer – Isso não era novidade, infelizmente...

Franzi o meu rosto, avaliando-o enquanto ele dava a volta ao redor da mesa e ia em direção ao balcão.

- Por que isso não me dá um bom pressentimento? – Christopher murmurou no meu ouvido

- Porque sabemos que vai acabar mal... sempre acaba mal. – Enfatizei e ele assentiu

O nervosismo estava chegando mais uma vez, junto com o medo do desconhecido. Não sabíamos no que estávamos nos metendo, nem mesmo o que podíamos esperar daquele tal teste. Eu imaginava que seria algo bem difícil.

- Vocês não vêm? – O guardião perguntou obviamente debochado. Ele estava parado depois do balcão, escorado em uma porta que eu nem sabia que existia ali, mas que agora estava bem visível.

- Isso é confiável? – Benjamin questionou ao meu lado, tomando cuidado para controlar o volume da voz – Eu não fui com a cara dele.

- Nem eu, mas temos que prosseguir. – Respondi com uma convicção que não me pertencia em momentos como aquele e segui em frente

Os outros vieram atrás de mim e logo depois de passar pelo balcão e pela porta, saímos em um corredor escuro e estreito com cheiro de mofo acentuado. Fernando – eu nem sabia se esse era mesmo seu nome – acendeu uma vela e caminhou pelo ambiente, seguindo em frente para onde quer que fosse. Ele virou brevemente para trás sem parar de andar e me olhou.

- O tritão não confia em mim e nem você, então por que estão me seguindo? – Disse, citando Benjamin

- Não é como se tivéssemos muitas opções. E se queria nossa confiança, deveria ter sido um pouco mais amável conosco logo de início.

Ele sorriu

- Tão ingênua ainda – O ouvi murmurar

Ia perguntar o motivo do comentário quando paramos em frente a outra porta, ele fez um gesto rápido sobre ela e enfim o objeto abriu, nos dando passagem. Saímos em outro cômodo e dessa vez parei desnorteada e surpresa, era a sala de estar de uma casa, mas bem organizada e bonita, não tinha nada a ver com o resto daquele lugar. Havia móveis comuns porém bonitos por todo lado, tudo era bem limpo.

- Admirados, certo? Eu sei – Disse convencido depois de olhar nossos rostos, porém não parou de andar

- Como esse lugar pode ser tão bonito sendo que lá fora....

- Sem perguntas! É hora de fazer o combinado – Me interrompeu rudemente e nos guiou até o cômodo ao lado

- Nós não combinamos nada ainda – Respondi na defensiva, sem paciência com ele

O Mistério de Allíshya - Perdida | Livro 03Leia esta história GRATUITAMENTE!