O Diretor

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          Os dois andares seguintes eram mais parecidos com o segundo, com vários corpos pendurados sobre bacias de pedra enquanto Miasma líquido escorria do teto sobre suas cabeças. Pelo que pude perceber, o diretor modificou parte da estrutura da torre para criar uma espécie de canal que levava o Miasma dos andares superiores até o segundo andar. Isso queria dizer que a fonte de todo aquele Miasma, e também o local onde o diretor e as gêmeas estavam, deveria estar próximo do topo da torre.

          Sombra e eu salvamos as vítimas que encontramos, enfraquecendo consideravelmente o sistema de defesa automático. Era uma sensação boa, resgatar as vítimas da dor daquela forma. Porém, Carina ainda parecia nervosa. Ela não deveria estar acostumada com tudo aquilo. Sua expressão só mudou quando Sombra verificou o quinto andar antes de entrarmos.

          — O alvo está no próximo andar, as gêmeas estão junto dele, porém desacordadas.

          — Ele as machucou?

          — Não consegui ver nenhum sinal visível de ferimentos, mas é uma possibilidade.

          Sim, o diretor havia corrompido os corpos de Brennus e Alanis em uma única noite. Era possível que ele tivesse feito algo semelhante com as gêmeas nesse meio tempo. Preparando minha adaga, segui Sombra escada acima.

          O quinto andar aparentava ser o último, o teto tinha um formato de bacia e sem nenhuma escada à vista. As decorações gravadas nas paredes aqui subiam até o topo do teto em uma espiral, terminando em um buraco que, um dia, deveria ter servido para abrigar alguma espécie de estátua ou algo semelhante, mas estava vazio agora.

          A sala em si parecia uma câmara de tortura, gaiolas penduradas no teto sob uma piscina de pedra. Na piscina, um líquido negro girava em constante movimento, formando um pequeno redemoinho no centro, onde deveria ter uma abertura para que ele escorresse para os andares inferiores. A piscina era alimentada por gotas negras que caíam das gaiolas. Porém, após observar com um pouco mais de atenção, percebi que as gotas não eram líquidas, mas sim criaturas que pareciam uma mistura de vermes com sanguessugas.

          Tais criaturas rastejavam para fora de corpos presos dentro das gaiolas suspensas, saindo por ferimentos, bocas, olhos e até ouvidos. A representação física das vítimas emitindo Miasma, agora transformado em algo material pela torre. Carina engasgou com horror e até Sombra pareceu ficar um pouco mais tenso.

          Sim, isso era uma reação normal. Tanta dor, tanta crueldade. Ninguém merecia ser mergulhado neles daquela forma gratuita. Nós precisávamos salvá-los, mas antes, tínhamos que cuidar do diretor para garantir que ele nunca mais machucaria ninguém.

          E ele estava ali, na beirada da piscina, observando as sanguessugas caírem nela enquanto as gêmeas, inconscientes, balançavam a poucos centímetros do líquido, penduradas em correntes pelos pulsos.

          — Imaginei que, mais cedo ou mais tarde, alguém viria até aqui. Tinha esperanças que Alanis fosse ser meu grande sucesso. Mas vejo que o desempenho dela deixou a desejar.

          O diretor falou em um tom desinteressado, como se não se importasse com nada do que estava acontecendo. Quando ele se virou para nos encarar, seus olhos pareciam distantes.

          — O segurança das Ancrum, um assassino e... Carina. Imaginei que você estaria envolvida quando percebi a camuflagem no sistema, ninguém na escola seria capaz de enganar minhas seguranças de tal forma. Bem, se vocês vieram pela minha cabeça, eu devo dizer que...

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