Capítulo 5

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- AAAAAAA! Ai meu Deus, ai meu Deus, ai meu DEEEEEUS! – Yara dá pulinhos em volta da minha cama quando eu termino de contar cada detalhe da última noite. – Por que você não me contou isso ontem? Meu Deus, nós voltamos juntas! Nós dormimos no mesmo quarto, Aline! Por que você mentiu ontem???? – Ela pergunta animada e ofendida ao mesmo tempo. No caminho de volta da casa dos meninos até a minha, eu disse que não havia acontecido nada além do que ela viu. Fingi não ter dado importância a nada do que rolara entre Diego e eu.

- Eu não sei... Acho que eu ainda estava processando... – Digo mexendo na barra do short de pijama e olhando para a janela. Depois de quatro dias de um calor típico do verão carioca, chovia lá fora. Apropriado para uma quarta-feira de cinzas.

- Já terminou de processar? – Yara diz estalando os dedos na frente dos meus olhos. Pisco e olho pra ela.

- Não... – Digo com um sorriso.

- Eita que então o negócio foi bom, mesmo! – Ela fala e eu jogo uma almofada em sua direção, ainda sorrindo. – Viu, amiga? Eu não falei pra você dar uma chance? Viu como valeu a pena?

- É... – Digo e no segundo seguinte me percebo com aquele sorriso idiota de novo. Mudo o semblante e Yara se preocupa.

- Que foi?

- Não posso. – Eu digo para mim mesma e então olho para ela. – Não, Yara, eu não posso.

- Ahhh, mas a senhora nem comece com isso! – Ela diz parecendo mãe que repreende a filha rebelde. – Pode! Pode, sim, senhora. Tanto pode como já fez e pelo que você me contou, meu amor... Eu não sei nem por que é que você levantou daquela cama. Não foi maravilhoso? Então pronto.

- Foi, foi maravilhoso! Mas tá aí o problema, Yara! – Digo exasperada levando as mãos ao rosto.

- Aline, você conheceu um cara gato, legal, divertido, que te trata bem, bom de cama, que tem um amigo tão maravilhoso quanto, diga-se de passagem. Gostou dele, se divertiu... Eu sinceramente não consigo encontrar o problema na situação.

- É exatamente esse o problema, Yara! Ele é incrível, tá tudo maravilhoso. Mas não vai ser sempre assim! – Digo beirando o desespero, olhando para a cama. – Uma hora eles deixam de ser incríveis. Uma hora tudo desmorona, acaba com toda minha esperança, destrói tudo que eu construí. Em algum momento eles mudam, as coisas ficam diferentes e eu começo a me sentir desnecessária. Sempre chega o ponto em que toda aquela maravilha se esvai em sofrimento... – Olho para ela. – E, amiga, eu não posso. Eu não aguento. Eu não tenho mais forças para passar por tudo isso de novo.

Quando termino de falar, Yara me olha com uma mão no queixo e uma expressão de quem tem pena. Balança a cabeça em reprovação, mas tem os olhos molhados. Ela se aproxima, me abraça e tudo que consegue dizer é:

- Ah, amiga... – Ficamos ali, abraçadas e choramos juntas.

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Por causa da chuva, ficamos em casa, assistindo à apuração do resultado das escolas de samba. Cada uma torcendo para a sua, embora não tenhamos assistido aos desfiles. Eu vibro a cada "dez, nota dez!" da minha Portela e Yara com os da Unidos da Tijuca. No meio do quesito "alegorias e acessórios", recebo uma mensagem. Olho o celular, é Diego. De novo. Ele mandou outra mensagem mais cedo, dando bom dia e perguntando como e eu estava. Eu não respondi. Agora comentava sobre a apuração e o bom desempenho de minha escola. Olho, encaro o celular por mais alguns segundos e bloqueio a tela.

- Você sabe que quem está sendo babaca na situação é você, né? – Yara me encara de braços cruzados, a reprovação estampada no rosto.

- Não é ser babaca, é só... – começo a falar e ela me corta.

Enquanto o Carnaval DurarRead this story for FREE!