Capítulo 4

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- Sejam bem-vindas, meninas! – É Bruno quem abre a porta e nos recebe na sala enorme da casa deles. Cumprimenta a nós duas com dois beijinhos e grita por Diego. O apartamento não está lotado, mas tem mais gente do que eu imaginava. Grupinhos bebem espalhados pela sala, alguns sentados no sofá, outros no chão, outros escorados na parede...

O apartamento tem um pé direito alto e a sala é bastante ampla. A decoração é simples e bonita. Um tapete, um sofá, um rack com televisão e alguns outros aparelhos e uma mesa de jantar. Ao lado do sofá, uma cortina separa a sala da varanda que parece se estender por outros cômodos. Enquanto observo o local, Diego aparece limpando as mãos no avental que veste por cima da blusa branca e bermuda jeans.

- Fala, Bruno! – Ele grita com o leve toque de irritação de quem já pediu para não ser incomodado. – Ah! Oi, meninas. – Muda o tom assim que bate os olhos em mim. Parece surpreso com a minha presença, apesar de eu ter confirmado que iria quando ele me perguntou por mensagem, mais cedo e no dia anterior. Diego me cumprimenta com dois beijos e depois faz o mesmo com Yara, que já tem o braço de Bruno ao redor de seus ombros.

- Você tá melhor? – Diego pergunta retornando a atenção para mim. Respondo que sim e ele sorri em alívio. – Que bom! Olha, eu tô meio enrolado na cozinha agora. Juro que é rápido. Mas, enquanto isso, o Cauã vai te dar uma atenção. – Ele fala enquanto puxa o irmão pela nuca, virando-o para mim. – Né, Cauã?

- É? Né o que? – Cauã o encara confuso e então percebe minha presença. – Ah, oi, Aline! – Me cumprimenta com dois beijos.

- Dá uma atenção para a Aline e pra... bom, pra Yara acho que não precisa. – Ele ri enquanto olha para trás de mim. Yara e Bruno conversam animados e de muito perto, cada um com um copo na mão. Eu rio e Cauã me acompanha. – Enfim, só até eu terminar as coisas na cozinha.

- Tranquilo, pô! – Cauã responde sorrindo e passando um braço por cima dos meus ombros. – Deixa eu te apresentar o pessoal!

Diego pisca para mim e eu acompanho o irmão. Encontro Pedro, que me cumprimenta e pergunta se estou melhor. Cauã me apresenta aos seus amigos de faculdade e acabo me dando bem com o grupo. Todos são extremamente divertidos e eu nem sinto o tempo passar enquanto conversamos. Volta e meia, uma menina ruiva passa oferecendo uma bandeja com salgadinhos e quitutes. Cada coisa melhor do que a outra. Cauã me conta que é uma colega de sala de Diego, que, junto com ele, montou o cardápio da noite.

Enquanto rio de uma piada contada por Pedro, sinto uma mão em minha cintura e olho para trás por reflexo.

- Voltei! Desculpa, não quis te assustar. – Diego fala sorrindo e logo se enturma na conversa. Muita comida e duas taças de vinho depois, ele resolve me mostrar a varanda. Passamos por um grupinho que conversa próximo à cortina e Diego cumprimenta cada um, para logo depois me apresentar. Mas não paramos ali. Seguimos até o final da varanda, que, como imaginei, se estende por mais dois cômodos. Quando olho para frente, a beleza da orla apenas com a iluminação noturna me impressiona. Que vista... Apoio os braços no parapeito e Diego me imita. Ficamos ali, em silêncio, encarando a noite carioca.

- Foi você que fez a comida, né?

- Vocês fizeram alguma coisa, hoje?

Quebramos o silêncio ao mesmo tempo. Eu rio e olho para ele, que também me encara rindo. Os olhos azuis fixos nos meus. Os dois esperando quem responderia primeiro.

- Fui eu que fiz, sim, com uma amiga.

- A gente foi num bloco em Santa Tereza, de manhã.

Respondemos ao mesmo tempo e gargalhamos. Eu encosto as costas onde antes estavam meus braços e encaro a porta de vidro a minha frente. Diego vira de lado, apoiando sua taça no parapeito.

- Você é bom no que faz.

- Ah, gostou? – Pergunta com um sorriso enorme e eu assinto.

- Verdadeiro chefe de cozinha. – Digo.

- Dos melhores que você vai conhecer. – Ele se gaba e eu rio.

- Um pouco convencido, talvez... – Brinco.

- Só quando eu preciso conquistar alguém. – Ele me encara. Sinto seus olhos queimando a lateral do meu rosto e olho para baixo. Levo a taça até a boca, mas a mão dele entra no caminho, puxando gentilmente meu queixo para que eu me voltasse para ele. Quando o faço, meus olhos são atraídos para os seus, como por magnetismo. Minha boca seca e o ar parece ter ficado mais quente. A paisagem em volta desfoca. A minha pele arrepia enquanto ele desliza a mão do meu ombro pelo braço até chegar em meus dedos. O sangue parece percorrer mais rápido toda a extensão do meu corpo e cada célula implora pelo que eu sei que quero, mas também sei que não devo.

- Você tá sentindo isso? – Ele diz sem tirar os olhos dos meus. A energia é cada vez mais forte e tenho a sensação de que é quase palpável.

- Tô. – Me limito a dizer, quase hipnotizada pelas duas íris azuis cada vez mais próximas.

- Então deixa a gente sentir junto. – Ele fala ao mesmo tempo que passa a mão pelo meu pescoço, afastando o cabelo dali, e me puxa para perto. Nossos lábios se tocam e é quase como eletricidade. A língua dele toca a minha e eu o trago ainda mais para perto, pela camisa. Diego me aperta na cintura exposta, desce a mão até o cós de minha calça e então volta para a pele. Nossos lábios se afastam por um milésimo de segundo para então voltarem ao beijo. Ele me pressiona contra si mesmo e eu tento abraçá-lo com a mão que ainda segura a taça.

Ele pega a taça de mim e coloca ao lado da sua, no parapeito da varanda. Então encosta as costas ali, me puxando para sua frente. Passo uma mão por sua nuca, a outra por dentro de sua camisa, nas costas. Ele puxa meu cabelo com uma mão e deixa a outra passear entre minha coxa e minha bunda. Puxo sua cabeça para baixo e saio da ponta dos pés. Ele caminha me empurrando devagar até que minhas costas estejam contra a porta de vidro. Passo a mão pelas suas costas enquanto ele beija meu pescoço até que...

- Eita! – Alguém fala da outra ponta da varanda, quando nos viramos, Bruno e Yara nos encaram rindo. – Foi mal. – Bruno fala sem graça. Eu e Diego rimos e apoio a testa em seu peito.

Diego passa a mão da minha cintura para a porta atrás de mim. Abre o trinco e o vidro corre para o lado. Ele puxa a cortina e me encara. Sem desviar os olhos dos seus, dou dois passos para trás puxando-o pela blusa. Ele me beija devagar e então começa a fechar a porta e puxar a cortina. Olho em volta. Uma TV, um armário, uma escrivaninha, cheia de papéis, um banheiro com a porta semiaberta e uma cama.

- É seu quarto? – Pergunto enquanto ele ainda está de costas. Ele fecha a cortina e vem até mim.

- É. – Diego responde e então recomeço a beijá-lo. Nada no mundo me faria parar aquilo. Que todas as paranoias ficassem para depois.



#NOTA DA AUTORA: É minha gente! Carnaval faz milagre e até que enfim Aline se entregou para o maravilhoso do Diego! Mas como será que termina essa história? Será que ela vai esquecer todos os medos? Ou será que a paranoia só vai bater no dia seguinte? Não percam o desfecho dessa história na quarta-feira de cinzas. É amanhã o último capítulo! Espero vocês!

Ht

Enquanto o Carnaval DurarRead this story for FREE!